Boca de urna: extrema direita avança em eleições regionais na Alemanha
O partido de extrema direita AfD ( Alternativa para a Alemanha) avançou em duas eleições regionais hoje, segundo pesquisas de boca de urna. Vitória pressiona o governo do chanceler conservador Friedrich Merz.
AfD cresceu com força em eleições regionais em Berlim e em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental. Pesquisas de boca de urna das emissoras públicas ARD e ZDF indicaram avanço do partido nos dois pleitos realizados hoje.
Partido de extrema direita deve vencer a eleição no estado do nordeste do país. A AfD aparecia com 37% a 38% dos votos em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, de acordo com as pesquisas divulgadas.
Na capital alemã, legenda deve ficar com cerca de 16% dos votos. O desempenho em Berlim também foi apontado pelas pesquisas de boca de urna das duas emissoras públicas.
Resultado amplia a pressão sobre o governo do chanceler Friedrich Merz. A ascensão da AfD tem colocado o Executivo sob pressão, de acordo com a avaliação apresentada nas reportagens.
Merz classificou como "desastre" o resultado de seu partido, a CDU, em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental. O chanceler reagiu ao desempenho apontado pelas pesquisas de boca de urna no estado do nordeste, onde a AfD liderou.
CDU ficou perto do limite mínimo para entrar no Parlamento regional. As pesquisas indicaram cerca de 5% dos votos para os conservadores, patamar que representa o piso para obter cadeiras na assembleia estadual.
Cerca de quatro milhões de alemães foram às urnas neste domingo. O avanço da extrema direita e da esquerda radical pode afetar o chanceler Friedrich Merz, cuja estabilidade no cargo está fragilizada. Realizadas pouco mais de um ano e meio após as eleições gerais que levaram Merz à chefia do governo alemão, à frente de uma coalizão com os sociais-democratas, as votações deste domingo podem encurtar a carreira política de um líder que esperou anos para chegar ao poder.
Há duas semanas, um terremoto político abalou a Alemanha. No estado da Saxônia-Anhalt, no leste do país, o partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha alcançou um resultado histórico, com quase 44% dos votos. Faltam apenas três cadeiras para que o movimento liderado por Ulrich Siegmund obtenha a maioria no Parlamento regional.
O partido União Democrata Cristã, do chanceler, sofreu uma derrota histórica e perdeu 20% nas urnas. No dia seguinte, Merz disse estar "chocado". O chanceler, cuja impopularidade atingiu níveis sem precedentes desde a guerra, com 88% dos alemães insatisfeitos com sua gestão, enfrenta críticas cada vez mais abertas. Dentro do próprio partido, alguns questionam seu futuro político e se perguntam se outro chefe de governo não conseguiria recuperar ao menos parte da popularidade perdida.
As eleições deste fim de semana também tendem a aumentar a pressão sobre Merz. Em Mecklemburgo, região do leste do país banhada pelo Mar Báltico, a disputa pela liderança concentra-se entre a governadora social-democrata Manuela Schwesig e o candidato da AfD, Leif-Erik Holm.
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