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Tradução da Constituição Federal para Macuxi e Wapichana passa por validação linguística

Folha de Boa Vista ·
Tradução da Constituição Federal para Macuxi e Wapichana passa por validação linguística

Professora Rosilda Macuxi realizando a validação da tradução. (Foto: Nilzete Franco/FolhaBV) O Tribunal de Justiça de Roraima (TJRR) realiza nesta quinta-feira validação linguística da tradução da Constituição Federal para as línguas indígenas Macuxi e Wapichana .

O trabalho ocorre na Sede Adminstrativa do Tribunal e reúne professores nativos das duas etnias, com participação de antropólogos.

A iniciativa busca verificar se os termos e expressões presentes nos 250 artigos da Constituição foram traduzidos de forma adequada às línguas e aos contextos culturais dos povos indígenas.

Segundo o secretário-geral do TJRR, Hermenegildo D´Ávila, o projeto tem como objetivo aproximar o conteúdo da Constituição das comunidades indígenas e facilitar o acesso aos direitos previstos no texto constitucional. ´´Esse projeto é um projeto que está levando a cidadania para os povos indígenas´´, afirmou .

A necessidade de validar a tradução está relacionada às diferenças entre as línguas.

Hermenegildo destacou que um mesmo termo pode adquirir outro significado quando passa do português para uma língua indígena. ´´Existem palavras que no português é uma coisa e quando traduz se torna outra. ´´ Por isso, segundo o secretário-geral, a validação serve para garantir que o conteúdo constitucional mantenha seu significado e seja compreendido pelas comunidades.

Secretário Geral do TJRR, Hermenegildo D´Ávila. (Foto: Nilzete Franco/FolhaBV) ´´A validação é isso, é fazer com que a Constituição seja traduzida de uma forma fidedigna e que seja entendida pelos povos indígenas, com essas línguas-maternas. ´´ A professora Rosilda da Silva e Silva , da etnia Macuxi, participa do processo de validação e explicou que um dos principais desafios está justamente na ausência de correspondência direta entre determinadas palavras do português e do Macuxi.

Segundo ela, existem termos em uma língua que não possuem uma tradução exata na outra.

Nesses casos, os participantes procuram uma expressão que esteja mais próxima do significado original. ´´ Tem palavras em Macuxi que não têm a tradução em português.

E dentro do português não tem a tradução em Macuxi.

Então a gente vai buscar bem mais próximo do significado das palavras que existem dentro da língua português ´´, disse.

A professora destacou o processo exige atenção justamente para que o sentido dos direitos previstos na Constituição não seja perdido durante a tradução.

Rosilda também relatou que já trabalha com tradução de diferentes textos e livros, além da produção de materiais didáticos destinados às escolas.

Para ela, participar da validação da Constituição representa uma experiência importante por envolver, pela primeira vez, um documento de grande relevância para o conhecimento dos direitos dos povos indígenas.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folhabv.com.br — o conteúdo pertence a Folha de Boa Vista.

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