As habilidades que o profissional do futuro tem que ter — e vão muito além de saber usar a IA
Modelo tradicional de carreira de "escadinha" dá espaço a trajetórias com movimentos laterais e mudanças de área
Se você ainda imagina uma carreira como uma escada — entrar em uma empresa, subir de cargo em cargo e seguir sempre na mesma direção — talvez seja hora de trocar a imagem. Para Milton Beck , diretor-geral para a América Latina do LinkedIn , o mercado de trabalho está cada vez menos linear, com movimentos para cima, para os lados, para baixo e até para fora das empresas.
Durante o painel “ O novo manual de sobrevivência profissional ”, apresentado nesta sexta-feira (14) no evento de inovação e empreendedorismo SP2B , o executivo listou as características que ele considera mais fundamentais para se adaptar ao mercado presente – e que vão muito além de saber usar inteligência artificial (IA).
A transformação acontece em um momento de reorganização do mercado de trabalho: 39% das habilidades existentes hoje serão revistas até 2030, segundo o relatório Future of Jobs 2025, divulgado pelo Fórum Econômico Mundial.
Segundo Beck, as habilidades do profissional do futuro podem ser colocados em um triângulo. Em um dos vértices estão as hard skills , ou seja, o conhecimento técnico necessário para exercer a profissão. É o domínio de medicina para um médico ou de engenharia para um engenheiro, por exemplo.
No segundo vértice está a fluência digital e o uso da inteligência artificial. A tecnologia entra como uma ferramenta para aumentar a produtividade e permitir que o profissional desempenhe suas funções de maneira mais eficiente.
O terceiro ponto é a capacidade de aprendizado contínuo, ou lifelong learning . Não basta aprender uma habilidade e considerá-la resolvida para o resto da carreira. A lógica passa a ser a de se atualizar constantemente.
Beck resume essa necessidade como a capacidade de “desaprender, aprender, reaprender e fazer diferente”.
Mas existe um elemento no meio do triângulo que não pode ser esquecido: as habilidades interpessoais.
“Comunicação, capacidade de dar e receber feedback, empatia, comportamento em reuniões e trabalho em equipe continuam sendo importantes mesmo em um ambiente cada vez mais tecnológico”, afirmou.
Nesse novo cenário, a inteligência artificial aparece menos como uma ameaça de substituição e mais como uma ferramenta de co-criação.
No Brasil, o otimismo em relação à tecnologia está acima da média mundial. Os profissionais brasileiros demonstram maior confiança no uso da IA e, em geral, não enxergam a tecnologia como algo que necessariamente vai tomar seus empregos.
A percepção é de que ela pode ajudar a desempenhar melhor as próprias funções.
Parte disso está relacionada à curiosidade e à criatividade do brasileiro, segundo Beck. A familiaridade com as ferramentas também é alta, e muitos profissionais assumem rapidamente o papel de early adopters: quando surge uma nova versão de ferramentas como ChatGPT ou Claude, já começam a testar.
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