EUA disse a governo da Venezuela que Machado deveria poder voltar "com tranquilidade", afirma Rubio
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou nesta segunda-feira (26) que seu governo disse às autoridades interinas da Venezuela que a líder opositora María Corina Machado deveria poder retornar ao país sem problemas.
Rubio falou em uma entrevista coletiva por telefone, um dia após o retorno inesperado de Machado a Caracas, depois de passar quase um ano no exílio.
"Há semanas e semanas conversamos com as autoridades interinas", declarou aos jornalistas, acrescentando que Washington explicou que Machado "deveria ter permissão para retornar sem contratempos".
"A única vez que eu, pessoalmente, a desaconselhei a voltar foi logo depois do terremoto", acrescentou o secretário de Estado do governo de Donald Trump.
Observadores dentro e fora da Venezuela acreditavam que Washington estava por trás dos obstáculos que impediram Machado de voltar ao país durante meses.
A líder opositora e vencedora do Prêmio Nobel da Paz afirmou que tentou retornar sete vezes, sem sucesso.
"Sabemos muito bem que ela queria voltar. E a única coisa que posso dizer a vocês sobre isso é que (...) conversamos com as autoridades provisórias e simplesmente dissemos: 'Ela deveria poder voltar com toda a tranquilidade'".
"E eles nos responderam que ela poderia pousar no aeroporto se assim desejasse, e transmitimos essa informação à equipe dela", explicou Rubio.
Machado foi recebida no domingo por milhares de apoiadores que se concentraram ao longo dos quase 400 quilômetros de estradas percorridos por ela entre Barquisimeto (oeste) e Caracas, onde chegou à noite.
Os detalhes de seu trajeto de volta ao país, após o exílio no Panamá, passando pela vizinha Colômbia, segundo veículos de imprensa da oposição, ainda não foram divulgados.
A presidente interina venezuelana, Delcy Rodríguez, criticou nesta segunda-feira o retorno ao país na forma de um "show" desnecessário.
Rubio explicou aos jornalistas as conversas entre o governo de Rodríguez e a oposição política para acelerar a transição rumo à realização de eleições na Venezuela.
As rodadas de negociação, que continuam, têm como objetivo modificar instituições venezuelanas fundamentais, como o tribunal máximo de Justiça e a autoridade eleitoral, para garantir que os resultados de futuras eleições sejam respeitados por todas as partes.
"Esse processo precisa funcionar (...). Todos devem estar comprometidos com esse processo de transição. Isso inclui as autoridades interinas", afirmou Rubio.
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