O que esperar da temporada de balanços do 3º trimestre? Analistas veem cenário desigual entre setores
A temporada de balanços do terceiro trimestre de 2026 começa hoje (20) em um cenário de desaceleração da economia brasileira, juros ainda elevados e restrições ao crédito.
Embora o Banco Central (BC) tenha mantido o ciclo de cortes da Selic, os efeitos da política monetária continuam pesando sobre o consumo e as despesas financeiras das empresas.
No cenário internacional, os preços elevados do petróleo seguem favorecendo parte das companhias de commodities, enquanto mineração e celulose enfrentam condições menos favoráveis.
Para os analistas, a temporada deve mostrar uma continuidade das tendências observadas no segundo trimestre, com resultados bastante distintos entre os setores e até mesmo entre empresas de um mesmo segmento.
A capacidade de manter as margens (diferença entre custos e preços cobrados), controlar o endividamento e gerar caixa deve ser determinante para a avaliação dos balanços.
Ruy Hungria, analista da Empiricus, avalia que as produtoras de petróleo e as distribuidoras de combustíveis devem continuar entre os destaques positivos, beneficiadas pelos preços elevados do petróleo e seus derivados.
O cenário é diferente para as mineradoras, que enfrentam preços menos favoráveis do minério de ferro e aumento dos custos de frete, pressionados justamente pelos combustíveis.
O contraste também aparece na indústria de papel e celulose.
Segundo Frederico Nobre, gestor de investimentos da Warren, o setor deve enfrentar um trimestre difícil, diante dos preços internacionais ainda baixos e da valorização do real frente ao dólar, que reduz o valor das receitas externas quando convertidas para a moeda brasileira.
Na economia doméstica, o varejo aparece como um dos segmentos mais pressionados.
Juros elevados, restrições ao crédito e desaceleração do consumo devem afetar principalmente os segmentos de vestuário, alimentos e eletroeletrônicos.
Para Nobre, o ambiente dificulta revisões positivas nas projeções de lucro das companhias mais dependentes da demanda interna, especialmente aquelas com maior nível de endividamento.
A construção civil também deve enfrentar dificuldades, sobretudo no segmento de média e alta renda, mais sensível ao custo do financiamento.
Hungria destaca que as prévias operacionais já indicaram resultados mais fracos em algumas construtoras, em meio às condições macroeconômicas desfavoráveis e a maiores restrições de financiamento da Caixa.
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