Até onde vai a queda do dólar? Empiricus vê espaço para real ainda mais forte com troca de governo
O real registrou uma valorização mais intensa logo após o primeiro turno das eleições presidenciais do que moedas de outros países da América Latina em situação parecida, como Chile, Colômbia e Peru.
Mas ainda há distância a percorrer, se o cenário de mudança de governo ocorrer.
Nos três países citados acima, trocas recentes de governo fizeram as moedas locais se fortalecerem.
No caso brasileiro, apesar da queda do dólar mais intensa no “dia um” após o resultado das urnas, há espaço para a moeda americana seguir em movimento de queda até depois do segundo turno.
A conclusão é de relatório da analista de renda fixa da Empiricus Laís Costa, obtido com exclusividade pelo Valor Investe.
O estudo estima, em modelo que toma como base os efeitos das eleições sobre as moedas dos três países vizinhos, ajustados ao comportamento do real, que o dólar poderia terminar o ano cotado entre R$ 4,81 e R$ 4,87.
A moeda fechou ontem em queda de 0,49%, cotado a R$ 5,05.
A explicação é que, mesmo depois do segundo turno resolver as apostas entre os dois cenários possíveis (de continuidade ou troca de governo), começa uma segunda fase.
Nela, os preços se movem pela credibilidade, governabilidade e execução da política econômica.
Se, por exemplo, um governo Flávio se afastasse de uma política pró-ajuste fiscal após o resultado das urnas, é possível que o dólar suba.
E se esta política for confirmada e houver garantias quanto à sua execução, que ele caia.
“A experiência recente dos pares latino-americanos sugere que o ajuste do real pode ser relevante, rápido e continuar depois de o resultado eleitoral já estar formalmente conhecido”, escreve Laís Costa.
O que aconteceu no Chile, o Peru e a Colômbia? José Antonio Kast venceu o segundo turno chileno em dezembro de 2025, Abelardo de la Espriella venceu a disputa colombiana em junho deste ano e Keiko Fujimori foi proclamada presidente eleita do Peru em julho.
Nos 42 pregões posteriores ao segundo turno, o peso chileno apreciou 6,5%, o peso colombiano 9% e o sol peruano 0,6%.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em valorinveste.globo.com — o conteúdo pertence a Valor Investe.