Vaias a Arias foram covardes. Como todas as outras
A pena, se houver, já está prescrita, então vou confessar.
Aos meus 17 anos, torci muito para que o violão atirado por Sérgio Ricardo acertasse alguém da plateia.
E vibrei intensamente a cada frase do discurso de Caetano, que ainda tenho na memória: “Mas é essa a juventude que diz que ter tomar o poder? Vocês estão matando hoje o velhote inimigo de anteontem.
É pro- i-bi-do pro-i-bir”… Vivíamos tempos de chumbo e os festivais de música eram um bálsamo.
Mostravam a produção cultural de um país que resistia.
Mas as vaias a Sérgio Ricardo, Caetano Veloso, Lucinha Lins e outros sempre me deixaram indignado.
Nada é justo, quando se tem uma maioria enorme ofendendo – a vaia é uma ofensa – uma minoria.
Muito pior, quando falamos de apenas um.
Milhares contra Caetano, Chico – a sua maravilhosa música Sabiá foi vaiada em ato de extrema ignorância – milhares contra um é covardia, não tem outro nome.
Há ainda a vaia ao ausente, como aquela que saiu de abastados camarotes na Copa de 2014, dirigidas a Dilma Rousseff.
Não gosto de vaia nem contra adversários políticos, esta categoria que está se extinguindo.
O que temos agora, fruto da ascensão da extrema direita, é inimigo político.
Mesmo assim, eu não vaio.
Ou melhor, vaio para dentro.
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