Ex-número 3 da Fazenda de SP recebeu R$ 4,5 milhões em propina, diz MP
Investigação do Ministério Público de São Paulo aponta que o ex-número 3 da Secretaria da Fazenda em São Paulo recebeu cerca de R$ 4,5 milhões enquanto atuava no fisco do Governo de São Paulo.
André Weiss, que ocupava o posto de diretor-geral da administração tributária até maio deste ano, foi preso hoje em uma nova fase da Operação Ícaro . A ação mirou 47 pessoas físicas e jurídicas suspeitas de integrar um esquema de pagamento de propina para agilizar ou liberar irregularmente créditos de ICMS de grandes empresas. Além de Weiss, foram presos o advogado João André Buttini de Moraes, apontado como líder do núcleo privado.
Como diretor-geral executivo da Administração Tributária, Weiss estava subordinado apenas ao subsecretário da Receita Estadual e ao secretário da Fazenda. Segundo a investigação, ele teria recebido R$ 250 mil mensais em espécie dentro de mochilas, em restaurantes e cafés da zona oeste de Sâo Paulo.
Os pagamentos foram relatados pelo ex-delegado tributário Paulo Sérgio Siqueira Prado, que firmou acordo de colaboração premiada com o Grupo de Atuação Especial de Repressão aos Delitos Econômicos do MP. Segundo ele, os valores foram pagos para que Weiss garantisse sua presença no comando da Delegacia Regional Tributária do Butantã até sua aposentadoria, em 2024.
O órgão chefiado por Prado é apontado pelo MP como um dos principais núcleos do esquema irregular de liberação de ressarcimentos e créditos do ICMS.
Os valores eram entregues em restaurantes em Pinheiros e em uma unidade da Ofner, na rua Pedroso de Moraes, segundo o delator. Os pagamentos teriam começado em 2023, quando Weiss era chefe da Diretoria de Fiscalização. Em agosto de 2024, ele foi promovido.
O telefone celular de um outro auditor registrou um almoço realizado em julho de 2023, que contou com a presença de Weiss e outros fiscais. Na ocasião, ele teria cogitado comprar uma sauna em São Paulo. O local serviria tanto para reuniões quanto para lavar dinheiro em espécie.
Um relatório de inteligência financeira mostra que um cunhado de Weiss movimentou R$ 12,2 milhões entre março de 2025 e fevereiro de 2026, apesar de declarar renda mensal de aproximadamente R$ 18 mil.
No período, foram registrados 334 depósitos em espécie, que somaram R$ 1,96 milhão. Segundo a instituição financeira, o fracionamento das operações poderia indicar uma tentativa de dificultar a identificação da origem do dinheiro.
Weiss também teria transferido R$ 200 mil ao cunhado. Os dois aparecem como sócios de holdings que, na suspeita do Ministério Público, podem ter sido utilizadas para ocultar e incorporar valores ao patrimônio familiar.
De acordo com a apuração, Weis atuou na resposta interna à primeira fase da Operação Ìcaro, que revelou o escândalo na Fazenda paulista. Como diretor-geral, ele criou um grupo de trabalho para revisar processo de ressarcimento do ICMS sob suspeita.
O outro preso da operação é o advogado João André Buttini de Moraes, que é apontado como principal operador do esquema junto à Secretaria da Fazenda.
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