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PF prende no RS coronel uruguaio condenado por tortura e morte de 4 italianos durante a ditadura militar

G1 Mundo ·
PF prende no RS coronel uruguaio condenado por tortura e morte de 4 italianos durante a ditadura militar

Pedro Antonio Mato Narbondo foi visto em Maceió, no Alagoas, em 2013 Reprodução/Facebook A Polícia Federal prendeu nesta segunda-feira (26), em Santana do Livramento, o uruguaio Pedro Antonio Mato Narbondo, condenado pela Justiça italiana por sequestro, tortura e morte de quatro cidadãos italianos durante a ditadura militar uruguaia.

A prisão foi determinada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), que homologou a sentença para cumprimento da pena no Brasil, já que ele é naturalizado e vive no país. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp Após ser localizado, Narbondo foi submetido aos procedimentos legais e encaminhado ao sistema prisional, onde permanecerá à disposição da Justiça, informou a Polícia Federal.

Conhecido como "El Burro", Narbondo nasceu no Uruguai e optou pela nacionalidade brasileira nos anos 2000.

Como possui nacionalidade brasileira, ele não pode ser extraditado para cumprir a pena na Itália.

Na década de 1970, ele atuava como oficial do Serviço de Informações de Defesa (SID), órgão de repressão política da ditadura militar uruguaia.

Agora no g1 Desde março deste ano, por determinação judicial atendendo a pedido do MPF, Narbondo utilizava tornozeleira eletrônica e estava proibido de deixar Santana do Livramento para evitar risco de fuga.

Segundo o subprocurador-geral da República Artur Gueiros, que atua no processo, esta é a primeira vez que um agente de um regime ditatorial cumprirá pena de prisão por violações de direitos humanos cometidas durante a ditadura militar no Brasil.

A decisão foi tomada pela Corte Especial do STJ na quarta-feira (21) e segue parecer do Ministério Público Federal (MPF).

Houve a conversão da prisão perpétua aplicada pela Corte de Apelação de Milão para 30 anos de prisão, já que não há esse tipo de prisão no Brasil.

Segundo o MPF, os assassinatos ocorreram durante a Operação Condor, articulação entre serviços de inteligência de países da América do Sul, como Brasil, Argentina, Chile e Uruguai, para perseguir opositores políticos.

A operação envolvia práticas como sequestros, transferências de pessoas entre países, desaparecimentos forçados e eliminação de adversários dos regimes de exceção.

Entre os militares ligados ao SID condenados pelas mortes dos quatro italianos, apenas Narbondo permanecia em liberdade.

Durante o julgamento, os ministros discutiram a possibilidade de aplicação da Lei da Anistia, que perdoou crimes políticos cometidos durante a ditadura.

A maioria do colegiado rejeitou essa tese.

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