PF prende no RS torturador uruguaio condenado por crimes na ditadura
A Polícia Federal prendeu hoje, em Santana do Livramento (RS), o torturador uruguaio Pedro Antonio Mato Narbondo, condenado por crimes cometidos durante a ditadura militar do Uruguai.
Prisão ocorreu após mandado expedido pela Justiça. A PF informou que cumpriu a ordem contra um homem que vivia no município gaúcho, na fronteira com o Uruguai.
Decisão do STJ determinou que a pena seja cumprida no Brasil. A corporação afirmou que a ordem judicial decorre de um julgamento da Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, que homologou uma sentença penal estrangeira.
Após a captura, o preso foi levado ao sistema prisional. Segundo a PF, depois dos procedimentos de praxe e das formalidades legais, ele ficou à disposição da Justiça.
Narbondo é coronel do Exército do Uruguai e foi apontado como agente da repressão. Ele foi condenado à prisão perpétua na Itália por crimes ligados à ditadura uruguaia.
Condenação envolve sequestro, tortura e morte de quatro italianos na Argentina, em 1976. A decisão do STJ atendeu a um pedido para que ele cumpra no Brasil a pena relacionada ao caso, citado pelo Ministério Público Federal.
Processo foi conduzido pela Justiça italiana. A PF afirmou que a ordem de prisão está ligada a fatos ocorridos no período da ditadura militar uruguaia e a um procedimento judicial na Itália.
Narbondo ficou conhecido como "El Burro" . Ele era oficial do SID (Serviço de Informações de Defesa), órgão de repressão política da ditadura uruguaia. O caso está ligado à Operação Condor, articulação entre serviços de inteligência de países da América do Sul para perseguir opositores, com sequestros, transferências forçadas, desaparecimentos e mortes.
Investigação aponta que ele era o único condenado ligado ao SID ainda em liberdade. O MPF informou que, desde março, Narbondo usa tornozeleira eletrônica e está proibido de sair de Santana do Livramento (RS), onde mora, para reduzir o risco de fuga.
Ex-agente nasceu no Uruguai, mas optou pela nacionalidade brasileira nos anos 2000. Por ser brasileiro, ele não pode ser extraditado para cumprir a pena na Itália, o que levou o MPF a pedir a execução da condenação no Brasil.
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