Estado aponta custos e prazos extras se metrô dos Jardins passar pela Faria Lima
A Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô SP) afirma que a construção de cinco estações da Linha 20-Rosa na Avenida Brigadeiro Faria Lima, na zona oeste da capital, acarretaria custo adicional de R$ 1,2 bilhão ao projeto e atrasaria o cronograma em dois anos.
Com 24 estações, a linha vai ligar o ABC paulista à zona oeste da capital. O ramal é orçado em R$ 24,9 bilhões e previsto para ser entregue até 2033.
O projeto ainda está em desenvolvimento. O Metrô chegou a planejar cinco paradas da linha na Faria Lima, mas descartou três delas e optou por um trajeto pelo miolo do bairro dos Jardins e de Pinheiros.
O Metrô afirma que a opção com cinco estações na Faria Lima custaria R$ 26,1 bilhões, com estimativa de demanda de 1,291 milhão de passageiros por dia útil. Já o trajeto com duas paradas na avenida foi orçado em R$ 24,9 bilhões com previsão de público diário de 1,266 milhão de passageiros.
Dessa forma, a companhia argumenta uma economia de 3%: o gasto por usuário da versão preliminar seria de R$ 20.220, enquanto o preço por viajante do traçado oficial ficou em R$ 19.660.
"Não podemos esquecer que uma linha está sempre inserida numa rede. Ela não é isolada no mundo", afirma Luiz Antônio Cortez Ferreira, gerente de Planejamento do Metrô, responsável pelo estudo de definição do traçado do ramal.
A 20-Rosa vai ligar Santo André e São Bernardo do Campo, no ABC paulista, à Santa Marina, na zona noroeste da capital. O plano é contratar a obra ainda em 2027, começar a construção em 2028 e terminar até 2033.
Segundo Cortez, é necessário calcular qual será o impacto das novas estações no resto do sistema metroferroviário inteiro e analisar se o novo projeto pode sobrecarregar algum outro trecho. Foi justamente isso que a companhia verificou que ocorreria na região da Faria Lima.
Hoje, a Linha 4-Amarela já tem uma estação na avenida, no Largo da Batata. Mas a ideia é que mais dois ramais passem pela via, com baldeações entre si: a futura Linha 20-Rosa e a futura 22-Marrom, que deve conectar Cotia e Osasco à capital, passando pela Rodovia Raposo Tavares e pela USP até a Sumaré, da Linha 2-verde.
O problema? A Linha 4-Amarela, conforme o Metrô, já está no limite, com alta lotação de passageiros em horário de pico.
"O trecho mais carregado da linha 4 é exatamente em Butantã e Pinheiros. A linha sai da Vila Sônia, enche até o Butantã e só começa a esvaziar em Pinheiros, por causa da baldeação com a (Linha de trem) 9-Esmeralda", diz Cortez. Esse cenário fez o Metrô conectar a 4 e a 22 só depois de Pinheiros. Inicialmente, a ideia era que a integração fosse no Butantã.
"A 4 já está sendo estendida até Taboão da Serra, o que vai adicionar ainda mais passageiros. Se acrescentássemos a 22 antes de Pinheiros, iríamos exigir ampliação da frota de trens para reduzir o intervalo entre viagens e caber mais passageiros por hora." Mas, continua ele, além do gasto extra, não há espaço no atual pátio de estacionamento para ampliar a frota.
O Metrô, então, decidiu deixar apenas a baldeação entre a futura Linha 22 e a 4-Amarela na Estação Faria Lima. "Mas a unidade não aguenta três linhas. No máximo, só mais uma.
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