Governo Lula quer manter as relações com a Venezuela no nível mais alto
A decisão de escolher o embaixador Guilherme Patriota para assumir o comando da embaixada do Brasil em Caracas reflete o interesse do governo Lula de manter as relações com o governo de Delcy Rodríguez no mais alto nível. Essa foi a avaliação de uma alta fonte do governo, que considerou natural a mudança de embaixador após mais de dois intensos anos de presença no país da embaixadora Glivânia Maria de Oliveira.
A Venezuela concedeu o agrément (aprovação diplomática prévia do país anfitrião) a Patriota em 21 de agosto passado, mas sua chegada a Caracas ainda não tem data. A embaixadora Glivânia ainda está no país, a troca poderia ficar para a última etapa do ano.
Patriota deixa a representação do Brasil junto à OMC (Organização Mundial do Comércio), em Genebra, e a presidência do Órgão de Solução de Controvérsias da organização. O embaixador é considerado um quadro excepcional do Itamaraty pela cúpula diplomática atual, mesmo elogio feito a embaixadora que está de saída.
A opção por Patriota teve o claro intuito de buscar preservar um alto nível no relacionamento com o governo da Venezuela, desde 3 de janeiro passado sob forte influência da Casa Branca. O ataque militar dos Estados Unidos a Caracas mudou completamente o panorama político no país, não apenas pela captura e prisão do ex-presidente Nicolás Maduro.
Depois do ataque, o governo de Delcy Rodríguez se viu obrigado a alinhar-se com os Estados Unidos de Trump. O chavismo se reinventou, abandonou o madurismo e hoje na Venezuela se fala em Rodriguismo, pelo poder que assumiram a presidente e seu irmão, Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional do país.
A relação com o Brasil hoje vive momentos de estabilidade, mas passou por fortes sobressaltos nos últimos dois anos. O governo Lula não reconheceu o resultado das eleições presidenciais de julho de 2024; se opôs à entrada da Venezuela, ainda em tempos de Maduro, ao Brics; e viveu momentos de tensão quando assumiu a custódia dos interesses da Argentina de Javier Milei em Caracas, com quatro assessores da líder opositora María Corina Machado asilados na residência do embaixador argentino.
Após o ataque militar americano, os presidentes Lula e Delcy se reaproximaram, e o Brasil enviou ajuda à Venezuela. Mas conflitos comerciais continuam. Os automóveis brasileiros continuam sendo taxados pela Venezuela, que, assim, está violando acordos comerciais.
Nas últimas semanas, a chegada do novo chanceler Félix Paciência, ao Ministério das Relações Exteriores venezuelano melhorou o clima, confirmaram fontes diplomáticas. O ministro recebeu a embaixadora, e se mostrou, segundo as fontes, mais acessível do que seu antecesor, Yvan Gil.
A mudança de embaixador busca aprofundar essa melhora, resolver temas pendentes e entrar numa nova fase, numa nova Venezuela.
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