Como você se movimenta, e não apenas com que frequência, pode afetar o risco de demência
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Coordenador do Centro de Pesquisas em Atividade Física, Saúde e Tecnologia na UFPel (Universidade Federal de Pelotas)
Há anos os cientistas sabem que a atividade física regular pode ajudar a reduzir o risco de demência . Mas um novo estudo, com pesquisadores do Brasil, Estados Unidos e Finlândia e capitaneado pela USC (University of Southern California), sugere que não é apenas a quantidade, mas também o contexto da atividade — se realizada no trabalho ou no lazer — faz diferença.
Realizamos uma metanálise com mais de 4,2 milhões de pessoas e constatamos que o exercício praticado no tempo livre — atividades como caminhar, pedalar , correr, nadar ou praticar esportes — está associado a um risco substancialmente menor de demência .
Em contraste, a atividade física realizada como parte do trabalho parece estar associada a um risco maior de desenvolver a doença.
As descobertas, publicadas na revista The Lancet Public Health, são as primeiras a examinar sistematicamente se o chamado "paradoxo da atividade física " também se aplica à demência.
Esse paradoxo, bem documentado em pesquisas cardiovasculares, descreve a observação surpreendente de que empregos fisicamente exigentes não oferecem os mesmos benefícios à saúde que o exercício voluntário — podendo até aumentar o risco de doenças.
Os resultados da nossa pesquisa desafiam a ideia amplamente aceita de que ‘todo movimento conta’ para a saúde do cérebro.
O estudo analisou dados de 74 estudos de coorte e caso-controle envolvendo mais de 4,2 milhões de participantes com idades entre 45 e 93 anos, em 30 países. Os participantes foram acompanhados por uma média de dez anos, período durante o qual os pesquisadores registraram diagnósticos de demência de qualquer causa, doença de Alzheimer e demência vascular.
No geral, as pessoas que praticavam mais atividade física no lazer apresentaram um risco 24% menor de demência em comparação com as menos ativas.
A atividade física doméstica também pareceu benéfica, embora essa evidência venha de um único estudo. Já a ocupacional foi associada a um risco 20% maior de demência , enquanto o deslocamento ativo (a pé ou de bicicleta) mostrou um aumento modesto no risco, ainda que baseado em apenas dois estudos.
O termo " atividade física " costuma reunir, em uma única medida, exercício, trabalho manual, tarefas domésticas e deslocamentos. Mas essas diferentes formas de atividade ocorrem em circunstâncias muito distintas e podem ter efeitos diferentes sobre a saúde a longo prazo.
O exercício no tempo livre costuma ser autodirigido, pode ser realizado em uma intensidade agradável e, frequentemente, vem acompanhado de interação social ou redução do estresse . Já os empregos fisicamente exigentes podem envolver tarefas repetitivas, longos períodos em pé, levantamento de peso, tempo de recuperação limitado e exposição a riscos ocupacionais .
Vale ressaltar que os aparentes prejuízos associados à atividade ocupacional dificilmente são causados pelo movimento em si.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.