Intelectuais do Ocidente publicam carta criticando Irã
Um grupo de 23 intelectuais do Ocidente assinaram uma carta aberta em repúdio à República Islâmica do Irã , com mensagem que coloca no mesmo patamar o caráter imperialista dos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao país persa e as denúncias de violações aos direitos humanos de presos políticos no país persa. Entre os signatários estão grandes figuras progressistas como Angela Davis, Michael Löwy e Judith Butler.
Sob uma visão ocidental, os intelectuais afirmam que Teerã “utiliza a mesma lógica de dominação e sistemas de encarceramento, tortura e execução” e classificando o Irã como um país que “desde sua origem, impôs um controle social e político absoluto baseado em uma ideologia excludente”.
A carta é dedicada aos “companheiros ativistas, estudantes, pensadores, trabalhadores, artistas e demais prisioneiros de consciência detidos atrás dos muros de todos os centros de detenção do Irã”, embora também faça referência às agressões norte-americanas e isralenses contra o Irã e contra os territórios palestinos.
“Em meio às atuais ondas indiscriminadas de ataques militares israelenses e americanos contra o Irã, esta carta de solidariedade denuncia a repressão ao povo iraniano e a seus presos políticos por forças tanto internas quanto externas”, diz o texto.
Por sua vez, o documento acrescenta que os “Estados Unidos e Israel instigam guerras brutais, destroem infraestrutura civil, matam meninas inocentes em idade escolar e tratam você como dano colateral em sua busca por domínio regional”, diz outro trecho da missiva.
Contudo, mesmo citando a ofensiva de Tel Aviv contra o complexo penitenciário de Evin – que arrasou a ala hospitalar, a seção para transgêneros e o centro de visitantes –, o texto ainda denuncia o país persa, afirmando que os “presos políticos estão entre as duas lâminas de uma tesoura: o regime maligno que os aprisiona e tortura e uma força estrangeira que lança bombas sobre suas cabeças em nome da liberdade”.
A carta equipara os encarceramentos no Irã com a “detenção administrativa” de Israel – que mantém prisioneiros políticos palestinos por anos sem acusação formal – e com a aprovação da pena de morte para palestinos pelo governo Netanyahu, além de assimilar a administração das detenções do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), do governo Trump, às prisões iranianas.
Aos presos políticos do Irã, encurralados “entre as lâminas de uma tesoura”
De um lado, vocês se deparam com o domínio da República Islâmica; do outro, com as forças imperialistas contra as quais essa república afirma lutar
Agosto marca o aniversário das execuções em massa de 1988 no Irã, um horror que ressoa no atual aumento das condenações à morte no país. Também marca o aniversário, em 19 de agosto, do golpe orquestrado pelo Reino Unido e pelos Estados Unidos contra o primeiro-ministro Mohammad Mosaddegh em 1953.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em operamundi.uol.com.br — o conteúdo pertence a Opera Mundi.