Lula e Flávio se vendem como opostos, mas estão apostando em uma mesma estratégia
Lula e Flávio Bolsonaro representam campos políticos opostos, mas adotam estratégias semelhantes para preservar a polarização na corrida presidencial .
A avaliação é do colunista Robson Bonin, de Radar , que, no programa Os Três Poderes , apresentado por Ricardo Ferraz, apontou que as duas campanhas partem de uma mesma lógica: manter mobilizadas suas bases eleitorais, transformar o adversário no principal motivo do voto e reduzir o espaço para que outras candidaturas consigam atrair esses eleitores com propostas (este texto é um resumo do vídeo acima) .
“Lula e Flávio Bolsonaro se mostram tão diferentes, mas são ao mesmo tempo tão parecidos em estratégias políticas”, afirmou Bonin.
Segundo o colunista, ambos trabalham inicialmente com a percepção de que possuem um eleitorado fiel próximo de 30%: Lula entre petistas e eleitores de esquerda, e Flávio entre bolsonaristas e eleitores de direita.
Essa base praticamente garantida, na leitura apresentada por Bonin, ajuda a explicar o comportamento das duas campanhas e até a discussão sobre a participação em debates.
Em vez de depender da apresentação de novas propostas para preservar seus respectivos eleitorados, Lula e Flávio poderiam se beneficiar principalmente da rejeição que seus apoiadores nutrem pelo campo adversário.
Lula x Flávio: surpresas e reviravoltas da corrida eleitoral Continua após a publicidade Por que as propostas perdem espaço nessa estratégia? “Na visão das duas campanhas, tanto faz proposta”, resumiu Bonin.
De acordo com sua análise, uma parcela do eleitorado de Lula estaria mobilizada pelo objetivo de barrar o bolsonarismo, enquanto parte dos eleitores de Flávio teria como prioridade retirar Lula e o PT do poder.
Nesse ambiente, a própria polarização passa a funcionar como mensagem eleitoral.
“A proposta já está dada.
É essa na polarização”, afirmou o colunista ao comentar o peso dos debates e da apresentação de projetos pelas duas campanhas.
A lógica descrita por Bonin é menos a de conquistar o eleitor fiel com novas ideias e mais a de garantir que ele permaneça dentro da disputa entre os dois polos.
A rejeição ao adversário, assim, torna-se um instrumento para consolidar as bases já existentes.
Continua após a publicidade Por que Lula e Flávio precisam bloquear os outros candidatos? Para Bonin, a estratégia também depende de evitar que o eleitor passe a considerar alternativas.
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