Despreparo de Lula em entrevista ajuda a explicar medo do petista de ir a debates
Viver nos palácios de Brasília costuma ser uma armadilha para qualquer presidente da República.
O ambiente fortemente blindado por seguranças e luxo costuma ser ocupado por centenas de servidores e aliados de confiança do mandatário.
Esse ecossistema costuma ter vida própria, valores próprios e um distanciamento considerável da vida real do país.
Os mortais eleitores que irão às urnas em outubro tiveram, nesta quinta-feira, uma oportunidade de ver esses dois mundos tão distantes em choque no Jornal Nacional da TV Globo.
O presidente Lula saiu da redoma desse universo paralelo do Planalto, onde seu governo é uma maravilha inquestionável, para dar uma entrevista sobre questões muito reais de sua gestão.
E se atrapalhou todo.
Animado em falar de propostas de apelo eleitoral, como o fim da jornada 6×1, taxa das blusinhas, soberania nacional e avanço de programas sociais, o petista foi confrontado, já na primeira pergunta, por um tema proibido no universo paralelo do palácio: as traficâncias de Lulinha, o filho de Lula, com uma lobista endinheirada.
Continua após a publicidade Lula não se preparou para falar do filho, dos escândalos de corrupção no INSS e no Banco Master e de outras fragilidades de seu governo, com a crise econômica, a quebradeira de estatais e a ausência de legado da esquerda ao lidar com segurança pública.
No mundo palaciano em que vive, ninguém vê temas como esse como vitais para estarem numa entrevista.
Na cabeça dos aliados de Lula e do próprio presidente, tudo isso deveria ter passado de modo lateral na entrevista.
Continua após a publicidade Como mostra o Radar na edição de VEJA que está nas bancas, irritado, o presidente reduziu bastante o número de conselheiros com autoridade para abordá-lo sobre Lulinha.
Nessa atmosfera de exaltação e de medo, faltou aconselhamento sobre as armadilhas que surgiriam na entrevista.
Descolado dessa realidade atual — de escândalos — que alimenta um quadro preocupante para sua reeleição, Lula foi para a Globo com velhas respostas a dispor sobre a corrupção petista, um fantasma que voltou ao centro da disputa eleitoral.
Falou de Lava-Jato quando a corrupção em questão não estava mais na Petrobras, mas dentro do próprio gabinete, chefiado por um assessor que tinha contas pagas pela lobista Roberta Luchsinger.
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