Cibersegurança: por que uma palestra por ano não resolve o risco humano?
Passei parte da minha carreira como CIO de bancos e, durante anos, estive do outro lado do balcão, como responsável por ambientes em que segurança não era apenas uma preocupação da área de Tecnologia da Informação, mas uma condição para o funcionamento do negócio.
Essa experiência me ensinou algo que continua válido mesmo com toda a evolução da cibersegurança: podemos aumentar as barreiras tecnológicas, mas sempre haverá uma variável mais difícil de controlar: as pessoas.
Leia também: IA já chegou a 66% dos pequenos negócios, mas uso na gestão financeira é limitado Isso não significa responsabilizar o funcionário por todo incidente de segurança.
Significa reconhecer que parte importante da proteção depende de decisões cotidianas: clicar ou não em um link, compartilhar uma informação, instalar uma aplicação, conceder um acesso ou utilizar uma ferramenta sem conhecer os riscos envolvidos.
A inteligência artificial tornou esse problema ainda mais complexo.
Hoje, um profissional pode expor informações confidenciais sem instalar qualquer software ou perceber que está criando uma vulnerabilidade.
Basta copiar um contrato, uma base de clientes, um trecho de código ou informações financeiras e inseri-los em uma ferramenta pública de IA para tentar ganhar produtividade.
Esse fenômeno está relacionado ao chamado Shadow AI, caracterizado pelo uso de ferramentas de inteligência artificial sem aprovação, políticas ou governança da organização.
Na prática, é uma nova versão de um problema conhecido pelas áreas de segurança: a tecnologia começa a ser utilizada antes que a empresa consiga estabelecer os controles necessários para seu uso.
Dados da Check Point Research ajudam a dimensionar essa realidade.
Em janeiro de 2026, um em cada 30 prompts enviados a ferramentas de IA generativa a partir de redes corporativas apresentava alto risco de exposição de dados sensíveis.
O problema foi identificado em 93% das organizações que utilizavam regularmente essas ferramentas.
O desafio se torna ainda maior quando consideramos o cenário brasileiro.
No mesmo período, organizações no país registraram uma média de 3.685 ataques cibernéticos por semana, crescimento de 55% em relação ao ano anterior e volume superior à média global, de 2.090 ataques semanais.
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