Vorcaro nega vazamentos e corrupção no BC em depoimento à PF
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, negou, em depoimento à Polícia Federal, ter obtido informações privilegiadas do Banco Central e a corrupção de servidores do órgão enquanto estava à frente da instituição financeira.
Vorcaro é investigado sob suspeita de ter pagado propina para dois chefes de departamento do BC, Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, encarregados de supervisão bancária na autarquia.
Segundo sua defesa, "restou demonstrado, em especial, que não houve qualquer ato de corrupção envolvendo os servidores mencionados na investigação em curso'.
"Daniel externou, ainda, sua plena disposição de prestar esclarecimentos mais amplos e aprofundados sobre os fatos, desde que lhe seja efetivamente assegurada a possibilidade de colaborar."
O depoimento durou mais de quatro horas. Vorcaro foi confrontado com as mensagens enviadas por ele aos dois servidores, inclusive no grupo "Master", em que, como mostrou o UOL , o banqueiro obtinha orientações e informações privilegiadas.
Negou que tenha ficado sabendo antes da hora de que haveria a liquidação de seu banco no dia 18 de novembro do ano passado —no dia 17, uma segunda-feira, foi preso ao tentar embarcar para Dubai.
Neves de Souza e Santana foram afastados de seus cargos pelo BC no início do ano, quando já estavam sob investigação interna.
A PF apontou que Belline Santana foi beneficiado através de um contrato, que as mensagens revelam ser de fachada, para um estudo sobre inserção de jovens no mercado financeiro.
Os pagamentos chegam a R$ 4 milhões. Vorcaro foi questionado sobre isso e disse que pagou por um estudo, sem contrapartida no BC.
Já a Paulo Sérgio Neves de Souza, a PF atribui a venda de um sítio por R$ 4,8 milhões à empresa do mesmo cunhado e o custeio de uma viagem à Disney.
Vorcaro também foi questionado sobre isso e disse à PF se tratar de um negócio imobiliário lícito.
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