Fernando Cerimedo, aliado do clã Bolsonaro, diz que “em breve, a verdade virá à luz” em carta na prisão
Em uma “mensagem à imprensa”, divulgada pelos advogados de defesa nesta quinta-feira (27), Fernando Cerimedo, operador de comunicação digital da direita radical latino-americana que é ligado ao clã Bolsonaro, prometeu revelar a “verdade” sobre sua atuação na Bolívia, onde foi preso pela tentativa de assassinato da ex, a advogada e ativista Nádia Beller.
Na carta, Cerimedo tenta se distanciar do presidente da Bolívia, Rodrigo Paz.
O direitista assumiu o governo boliviano após duas décadas de governos de esquerda e uma tentativa fracassada de golpe.
A eleição contou com o trabalho de redes sociais de Cerimedo, que ganhou um cargo de “estrategista internacional” no início do governo.
Após a prisão, o vice-presidente Edmand Lara havia declarado que Cerimedo era “conselheiro pessoal” de Paz e pediu que o presidente não o blindasse nas investigações conduzidas pelas autoridades bolivianas.
A carta à imprensa, divulgadas pelos advogados, inicia dizendo que “Fernando Cerimedo, de Palmasola: reafirmo o que foi dito pelo presidente Rodrigo Paz”, indicando que a mensagem partiu do estrategista de dentro da cela do complexo penitenciário de Palmasola, em Santa Cruz de la Sierra.
“Mentiras ou boatos não constituem fatos.
Meu papel como colaborador do presidente não me conferia nenhuma autorização ou poder para agir ou representar a família presidencial.
Jamais agi em nome de ninguém nem tomei decisões.
Nunca fiz uso disso, apesar das mentiras e difamações infundadas que afirmam o contrário.
Jamais participei de negociatas nem de qualquer tipo de ato em meu nome, e muito menos em nome da esposa do presidente, a quem aprecio profundamente e sei de sua honradez, assim como da de toda a família”, diz Cerimedo, se referindo também à primeira-dama da Bolívia, María Elena “Bibi” Urquid.
Após sobreviver ao atentado a tiros, a advogada Nadia Beller afirmou possuir gravações de áudio que expõem conversas entre Cerimedo e a primeira-dama “Bibi” Urquidi.
Nessas gravações, os dois supostamente tratavam de indicações políticas e nomeações irregulares na estatal petrolífera Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB).
Segundo o testemunho de Beller, os áudios revelam o conhecimento de esquemas de propina envolvendo a venda de diesel e o desvio de combustível para o mercado negro.
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