Ex-operador da Vitol é condenado por esquema ligado à Lava Jato
O ex-operador da Vitol Javier Aguilar foi condenado nos Estados Unidos a 48 meses de prisão por participar de esquemas internacionais de pagamento de propina que envolveram a mesma empresa que, em 2020, admitiu ter corrompido funcionários da Petrobras em um caso relacionado à Lava Jato .
A condenação foi anunciada na 6ª feira (18.set.2026), porém trata dos esquemas no Equador e no México, e não das acusações relacionadas à estatal brasileira.
Aguilar, de 52 anos, trabalhou como operador de petróleo e commodities no escritório da Vitol em Houston.
Ele foi condenado por participar de um esquema de propinas no Equador e se declarou culpado, em agosto de 2024, por outro esquema envolvendo funcionários da Procurement International, subsidiária da estatal mexicana Pemex.
Os casos envolveram mais de US$ 1 milhão em propinas e contratos de petróleo e gás que somaram mais de US$ 500 milhões.
VITOL NO BRASIL Em dezembro de 2020, a Vitol fechou um acordo com o DOJ (Departamento de Justiça dos Estados Unidos) e admitiu ter participado de esquemas de corrupção no Brasil.
A empresa concordou em pagar US$ 135 milhões em penalidades em uma resolução coordenada com autoridades norte-americanas e brasileiras.
Segundo a admissão da empresa e documentos judiciais, de 2005 a 2014, a Vitol e seus colaboradores pagaram mais de US$ 8 milhões em propinas a pelo menos 4 funcionários da Petrobras para obter informações confidenciais sobre preços e concorrentes.
O esquema teria proporcionado à empresa pelo menos US$ 33 milhões em lucros obtidos com contratos da estatal.
A Vitol também admitiu outro esquema, de 2011 a 2014, no qual pagou propinas a pelo menos 5 funcionários da Petrobras para obter informações confidenciais sobre preços e vencer contratos de óleo combustível.
O ESQUEMA Os documentos do DOJ descrevem o uso de intermediários, empresas fictícias, contratos de consultoria de fachada, notas fiscais falsas e contas offshore para esconder os pagamentos.
Parte das transferências passou pelo sistema financeiro dos Estados Unidos antes de chegar às contas usadas para pagar os funcionários brasileiros.
No caso de Aguilar, o padrão descrito pelo DOJ também envolvia empresas de fachada, contratos e notas falsas e contas offshore em países como Panamá e Curaçao.
No Equador, ele e seus cúmplices usaram ainda uma estatal do Oriente Médio para contornar restrições à contratação de empresas privadas.
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