O que o Brasil precisa fazer para enfrentar os impactos do El Niño
A situação do El Niño 2026-2027 mudou rapidamente nos últimos meses.
As informações mais recentes, de agosto de 2026, indicam um cenário mais preocupante do que o previsto no início do ano.
Segundo a WMO (Organização Meteorológica Mundial), o El Niño está oficialmente estabelecido e em fase de intensificação, já exercendo forte influência sobre os padrões de temperatura e de precipitação na América do Sul e em outras regiões do mundo durante agosto–outubro.
O aquecimento do Oceano Pacífico equatorial central e leste está acompanhado por mudanças na circulação atmosférica, indicando que não se trata apenas de uma anomalia oceânica: as anomalias de temperatura sobre o Oceano Pacífico Central estão acopladas aos ventos tanto nos níveis altos quanto na superfície da atmosfera.
Desta forma, já se registram chuvas superiores à normalidade na Região Sul do Brasil, decorrentes da maior presença de sistemas frontais –zonas de transição onde duas massas de ar com temperaturas, umidades e densidades diferentes se encontram–, e precipitações deficientes no noroeste da Amazônia.
A NOAA (Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos), uma das principais referências mundiais no diagnóstico e prognóstico do fenômeno, elevou a probabilidade de um El Niño “muito forte” no período de outubro–dezembro de 2026 para mais de 90%.
No Brasil, nós, do Cemaden/MCTI (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Riscos de Desastres Naturais) já apontávamos, desde julho, que o fenômeno deveria se intensificar durante o 2º semestre, com elevada probabilidade de intensidade muito forte na primavera/início do verão.
EFEITOS EM SETORES DIVERSOS No presente momento, o risco não é apenas meteorológico, mas também começa a afetar ao mesmo tempo setores estratégicos que podem ser severamente impactados, como agricultura, geração de energia, rios, logística, incêndios de vegetação, saúde e segurança alimentar.
O Cemaden/MCTI destaca especificamente: maior risco de chuvas extremas, com aumento do risco de inundações, enchentes e deslizamentos de terra na região Sul; agravamento da seca e maior risco de incêndios de vegetação (queimadas) nas regiões Norte e Nordeste; aumento do risco de calor e de baixa umidade do ar no Centro-Oeste.
Segundo estudo conduzido aqui no Cemaden, a partir da análise de série histórica de registros de temperaturas em anos de El Niño, o calor deve impactar todas as regiões do Brasil.
Em 2026-2027, o fenômeno pode superar os registros dos eventos de El Niño de 2015-2016 e de 2023-2024, quando foram observadas 7 e 9 ondas de calor, respectivamente.
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