Em 2 anos, instituto de André Mendonça recebeu R$ 8,2 mi em verba pública
A lista de clientes vai da Prefeitura de Conceição do Mato Dentro (MG), com 23.163 habitantes, ao governo de São Paulo, que assinou o segundo maior contrato até aqui, de R$ 1,6 milhão.
Foi na sede do instituto, em São Paulo, que Mendonça recebeu o ex-banqueiro Daniel Vorcaro , em 14 de março de 2025, em reunião fora da agenda oficial. Em nota, o ministro afirmou que o assunto tratado não foi a crise no Banco Master, mas uma pauta em andamento no STF sobre créditos de precatórios de interesse do empresário.
Apresentado ao mercado como um "instituto de ensino inovador e estratégico", o Iter oferece cursos presenciais e online a funcionários públicos com foco em capacitação jurídica, ciência da oratória e contratações públicas. Tem entre seus alunos procuradores públicos, policiais militares, guardas-civis e até prefeitos que desejem se preparar para "liderar uma gestão de resultados".
A instituição também atende entidades privadas, como o Conselho Federal de Contabilidade, classificado como uma autarquia corporativa de direito público. O contrato vigente, de R$ 1,4 milhão, foi fechado três meses após Mendonça visitar a sede da entidade, em Brasília, em maio. Na ocasião, o "encontro institucional" contou ainda com a participação do ex-ministro da Educação do governo Bolsonaro Victor Godoi Veiga, que é CEO do Iter.
Apesar de não comandar oficialmente o Iter, Mendonça continua como sócio por meio da Integre Cursos e Pesquisa em Estado de Direito e Governança Global Ltda, empresa que também tem sua mulher, Janey Nagliatti de Mendonça, como sócia. Ocasionalmente, também dá aulas inaugurais dos cursos ofertados ou ministra palestras aos contratantes.
Ao comentar sobre a criação do Iter, o ministro já classificou o feito como "um sonho" e afirmou que ele e sua esposa doam sua parte nos lucros para a "consagração de um altar a Deus". Os recursos seriam destinados a obras sociais e de educação na igreja. Mendonça foi indicado ao STF pelo então presidente Jair Bolsonaro, em julho de 2021, por ser "terrivelmente evangélico".
A reportagem entrou em contato com o Iter, que ainda não respondeu. O espaço continua aberto.
Com o ministro de garoto-propaganda, o Iter passou a ser contratado sem licitação por órgãos públicos de todo o país em menos de um ano de funcionamento. Passou de dez contratos em 2024, no valor total de R$ 115 mil, para 32 acordos que somaram R$ 4 milhões no ano seguinte. E o ritmo continua acelerado. De janeiro a agosto deste ano, o instituto já assinou mais dez prestações de serviço avaliadas em R$ 4,1 milhões.
Os contratos têm preços e modelos variados. O menor deles foi fechado em abril de 2025 pela Prefeitura de Registro (SP), por R$ 2.850. O valor teria pago o treinamento de um dia de procuradores da cidade sobre o tema "domínio de recursos extraordinários" —a reportagem não encontrou detalhes do serviço no site municipal de transparência.
No mesmo mês, a Prefeitura de Uberlândia (MG) contratou o instituto por R$ 390 mil para oito palestras presenciais com "profissionais de notória especialização".
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