Democracia brasileira ainda não se recuperou do golpe parlamentar contra Dilma Rousseff
O golpe parlamentar contra a presidenta Dilma Rousseff completa 10 anos nesta segunda-feira, 31 de agosto, num cenário político marcado pela polarização em meio à uma nova disputa eleitoral que vai definir o projeto de país dos próximos quatro anos.
À época, eu era senador pelo Rio de Janeiro, integrante da tropa de choque no Congresso Nacional em defesa de Dilma, adotando uma postura linha-dura.
Até hoje a democracia brasileira enfrenta as consequências do golpe articulado por Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados cassado poucos dias após a destituição da então presidenta.
O impeachment da única mulher que ocupou a cadeira de Presidente da República no Brasil abriu caminho para a ascensão do bolsonarismo e fortaleceu os partidos do Centrão, que passaram a concentrar ainda mais poder e capturar mais fatias do orçamento da União como moeda de troca em barganhas e chantagens políticas.
A história não mente: não foi impeachment, foi golpe.
Há dez anos, houve um ataque à democracia que abriu uma fissura enorme e uma ruptura, trazendo retrocesso, retirada de direitos e a chegada de Jair Bolsonaro ao poder.
Até hoje, a gente não conseguiu consertar e se recuperar do golpe.
Passamos a conviver com uma extrema direita que propaga a violência, o ódio e a morte e não esconde sua intenção de acabar com a democracia e com a soberania brasileira.
Ao longo dos anos, venho repetindo que o processo todo foi uma farsa jurídica, que contou com a conivência das elites e da mídia convencional, confrontando oposição e Centrão, argumentando que as acusações de pedaladas fiscais não configuravam crime de responsabilidade.
Aquilo, realmente, foi uma farsa.
Os crimes de responsabilidade apontados não ocorreram, foram pretextos jurídicos inventados com o único objetivo de tirar Dilma do poder porque ela não aceitou fazer parte do esquema de corrupção.
Eu acuso as elites dominantes, a burguesia e a mídia de quererem dar um golpe de classe no Brasil.
O movimento pelo impeachment foi uma manobra política articulada por cúpulas partidárias para abafar investigações de corrupção da Operação Lava Jato.
Em meu último discurso na tribuna, em 31 de agosto de 2016, critiquei com veemência os senadores que votaram a favor do impeachment.
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