Menino prodígio que criou jogo aos 7 anos mora em abrigo com a mãe no RJ
Adriano Álvaro Melo é do Complexo da Maré, na zona norte do Rio, e desenvolveu, aos sete anos, o jogo "Super Alvinho", após participar de um curso online de programação da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Ele mora com a mãe em um abrigo no Grajaú, na zona norte do Rio de Janeiro, enquanto ela aguarda o fim do tratamento de uma tuberculose.
Nas turmas de xadrez e de robótica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ele despontou com seu aprendizado. Em entrevista ao jornal O Globo, a mãe, Priscila Melo, de 42 anos, conta que a suspeita de que ele pudesse ter maior facilidade de aprendizado surgiu quando ele tinha três anos.
Adriano aprendeu a ler aos quatro anos durante a pandemia de covid-19. Ele teve ajuda do aplicativo GraphoGame, do Ministério da Educação, e realizou testes que confirmaram suas altas habilidades.
O jogo "Super Alvinho" foi criado em 2023, todo em inglês, idioma em que ele aprendeu sozinho. O jogo conta a história de um cientista que usa seus poderes para construir robôs agrícolas e pesquisar meios de melhorar a produção e a distribuição de alimentos no planeta. No mesmo ano, foi palestrante em um evento sobre Pedagogia Social na Universidade Federal Fluminense.
Adriano ganhou troféus e foi condecorado na Câmara do Rio, em dezembro de 2024, com a Medalha Pedro Ernesto, pelo seu destaque no campo da educação. Ele se tornou a pessoa mais jovem a receber a premiação.
A mãe de Adriano foi diagnosticada, em outubro de 2025, com tuberculose resistente aos medicamentos. Priscila conta que foi microempreendedora e, nos últimos anos, vive de trabalhos temporários.
Ele conseguiu uma bolsa de estudos integral em uma escola particular em Cabo Frio (RJ), mas frequentou por apenas dois meses, pois a mãe teve que voltar à capital para cuidar da saúde. Ela pensa em retornar à cidade para o filho tentar concluir o ano letivo.
"Meu filho precisou interromper a rotina dele. Estamos sem moradia e vivendo em abrigos. Mas nossa expectativa é que, daqui para frente, haja novas oportunidades" - disse Priscila Melo em entrevista ao jornal O Globo.
A mãe conta que foi vítima de um golpe imobiliário e perdeu o apartamento em que morava em Itaboraí (RJ). O caso está na Justiça até hoje e, depois de viver de favor no Complexo da Maré, eles ficaram sem ter onde morar.
A renda da família era uma bolsa estudantil de Priscila. A mãe e o filho vão quase todos os dias ao coworking de um shopping de Vila Isabel, onde ela aproveita o computador para trabalhar em sua dissertação de mestrado em Tecnologia Social.
"Hoje, vejo nossa situação como negação dos nossos direitos humanos mais básicos. Mas ainda assim a gente espera que coisas boas aconteçam. Eu pretendo terminar meu mestrado, e meu desejo sempre foi o de fazer um curso de doutorado na Universidade de Coimbra, em Portugal. Ainda que meus sonhos estejam distantes, quero que um dia meu filho possa realizar os dele "- disse Priscila Melo em entrevista ao jornal O Globo.
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