Pastor vira réu por abusos em Rondônia; 12 mulheres o denunciaram
O pastor e psicólogo Aluízio Vidal Flor, de 58 anos, virou réu por crimes sexuais em Porto Velho depois de ao menos 12 mulheres o denunciarem ao Ministério Público de Rondônia (MP-RO). Ao UOL, uma das vítimas e a advogada das denunciantes contaram como ele usava a confiança que tinham nele para cometer os abusos.
A Justiça aceitou a denúncia contra o pastor em 1º de outubro. Ele responde por estupro e por violação sexual mediante fraude, crime em que o agressor usa um engano para impedir que a vítima consinta de verdade.
A denúncia trata de crimes cometidos entre 2012 e 2025 contra quatro das 12 mulheres que procuraram o MP-RO. O órgão confirmou ao UOL que acolheu todas elas no Núcleo de Atendimento às Vítimas (Navit), em Porto Velho. O primeiro inquérito da Polícia Civil, com oito vítimas, serviu de base para a denúncia. Uma segunda investigação apura os relatos das outras quatro mulheres.
Vidal está preso desde 14 de setembro. A juíza Keila Alessandra Roeder Rocha de Almeida decretou a prisão preventiva para proteger a ordem pública e o andamento do processo. Dois dias depois, a defesa dele solicitou que ele respondesse o processo em liberdade ou que fossem aplicadas medidas cautelares, mas a magistrada indeferiu os pedidos.
Os relatos contra o pastor se estendem por um período de mais de 30 anos. Segundo a advogada das vítimas, Carla Benigni, há relatos datados em 1994 contra Vidal. No entanto, essas denúncias já prescreveram. Ainda assim, a Justiça as levou em conta para mostrar um padrão de conduta do pastor.
Vidal usava a dupla autoridade para cometer os crimes, segundo a acusação. Ele escolhia mulheres em momentos de fragilidade, como luto na família ou crise no casamento, e agia tanto no consultório quanto nos bastidores da Igreja Presbiteriana Gileade, onde pregava em Porto Velho.
Miriam Rios foi a primeira a denunciar o pastor. Em relato ao UOL , ela conta que frequentava a igreja onde Vidal pregava. Quando se viu diante de uma crise no casamento, resolveu, junto com o marido Marcel Rios, fazer terapia de casal com o pastor, que dividiu o atendimento em sessões individuais e em dupla. "Eu o via como pai, amigo, mentor, pastor, psicólogo e conselheiro. Jamais poderia imaginar que aquela confiança seria usada contra mim."
O abuso ocorreu em uma das sessões individuais. Entre o fim de 2024 e janeiro de 2025, no consultório do bairro Liberdade, o pastor propôs um exercício de "conexão emocional", em uma espécie de sessão de hipnose, para se aproximar de Miriam e forçar contato físico, ela relata.
"Naquela sessão aconteceram outras situações que ultrapassaram profundamente os limites profissionais, pastorais e pessoais, mas não quero expor esses detalhes. Ainda sinto vergonha e dor ao recordar o que vivi naquele ambiente." - Miriam Rios, em relato ao UOL
O casal levou o caso à igreja em 28 de abril. A queixa formal foi apresentada ao Presbitério de Porto Velho, da Igreja Presbiteriana do Brasil, para apurar a conduta do pastor. "Eu ainda acreditava que seria ouvida, acolhida e tratada com dignidade. Mal sabia que, naquele momento, começava a batalha mais injusta da minha vida."
O pastor falou do caso durante um culto.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.