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Distância afasta brasileiros que vivem no exterior das urnas e eleva abstenção

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Distância afasta brasileiros que vivem no exterior das urnas e eleva abstenção

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A distância do centro de votação é um dos principais fatores que afastam o eleitor brasileiro no exterior das urnas para a votação para presidente, a única da qual se pode participar fora do Brasil.

No primeiro turno destas eleições, no último dia 4, 62,7% dos aptos a votar no exterior se ausentaram das urnas, um aumento de seis pontos percentuais em relação a 2022. São mais de 574 mil pessoas. O número é quase o triplo do da abstenção em território brasileiro —21%.

Apatia com a política e esquecer de transferir o título de eleitor também são ingredientes importantes para esse resultado. Mas funcionários consulares, especialistas e, em especial, os próprios eleitores, elencam a distância das urnas como o fator preponderante.

O Brasil organiza votações para presidente no exterior desde 1989, ano em que ao redor de 18,5 mil brasileiros estavam aptos a votar fora do país. Hoje esse número chega a 916,5 mil. As eleições são organizadas por 146 postos (consulados, embaixadas) em 167 locais de votação.

Mas muitas vezes acessar a urna se torna uma tarefa custosa, em tempo e em dinheiro. A escritora e professora universitária Bruna Dantas Lobato, 35, natural de Natal (RN), vive nos Estados Unidos desde 2011. Hoje, está radicada no estado de Iowa.

Para votar, Bruna precisa ir ao estado vizinho de Illinois, na cidade de Chicago. São ao redor de dez horas de carro na estrada, ida e volta, além dos custos com pedágio, gasolina, alimentação e eventual hospedagem. Ela desembolsou US$ 400, mais de R$ 2.000.

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Votar para ela é uma maneira de exercer a cidadania e de se conectar com a nacionalidade. "Como imigrante, já me sinto muito de fora, ações como essa são a minha chance de fazer parte do meu povo, reafirmar e exercitar meus valores políticos é muito importante", diz.

Mas Bruna sabe que essa possibilidade, de empregar tempo e dinheiro, não é uma realidade para todos. Compartilhando desse sentimento, o brasileiro Pedro Morel Rosa, 27, carioca que vive em Paris, criou uma plataforma pública chamada "Voto Lá Fora".

Trata-se de um site que conecta pessoas que querem oferecer caronas para ir ao centro de votação e mesmo hospedagem em suas casas para aqueles que vêm de longe votar. Até a última quarta-feira (14), quando ele falou com a reportagem, mais de 900 pessoas já haviam se cadastrado.

Pedro diz que foi motivado pelo que viu na hora de votar: pessoas chegando com malas, porque haviam acabado de sair da estação de trem, vindo de longe, e amigos oferecendo suas casas para que brasileiros possam se hospedar no segundo turno.

E mais: "Muitos que eu conheço, infelizmente, não transferiram o título e não vão poder votar no exterior. Pensei que oferecer uma carona ou um lugar para dormir era uma forma de mobilizar essas pessoas, permitindo que participassem desse momento tão importante da democracia brasileira."

A plataforma, explica, não está ligada a partidos políticos. Brasileiros na Europa têm sido os que mais participam, com a França à frente.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.

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