“14 meses represados”: o que muda para o Brasil com a aprovação do Redata
O Senado aprovou o Redata (Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter) nesta semana.
Mas, para Luis Tossi, vice-presidente da Associação Brasileira de Data Center , o mais importante não é a aprovação em si: é o que ela desbloqueia .
“Entre o anúncio e a aprovação, já se transcorreram praticamente 14 meses”, disse Tossi em entrevista ao Olhar Digital .
“Durante esses 14 meses, aconteceu um represamento muito grande dos projetos aqui no Brasil, porque os investidores estavam na expectativa de ter esse projeto aprovado para dar segurança a esses investimentos, que são de grande monta.” Segundo o executivo, apenas nos últimos dois meses – quando o mercado começou a duvidar que o Redata sairia do papel – alguns projetos foram desbloqueados, mas apenas para sustentar o crescimento orgânico dos serviços de nuvem já existentes.
Agora, com a aprovação, o cenário muda.
“Com o Redata aprovado e uma vez sancionado, todos os investidores que estão olhando para o mundo, para locais que tenham energia renovável e energia disponível, voltam a olhar para o Brasil”, afirmou Tossi.
O texto segue para sanção do presidente Lula, que tem até 15 dias úteis para aprovar ou vetar a proposta.
Por que o Brasil estava fora da briga O Brasil já detém mais da metade de todo o mercado de data centers da América Latina, mas o custo de investimento no país era um obstáculo para atrair projetos maiores, especialmente os voltados ao treinamento de modelos de inteligência artificial.
“O Redata desonera o investimento em servidores de IA, o que faz com que o Brasil passe a entrar no mercado internacional para competir não só com os nossos vizinhos da América Latina, mas também nessa briga global”, explicou Tossi.
“O nosso custo de investimento era muito elevado e isso estava nos deixando um pouco fora desse mercado.” Tossi aponta que cerca de 60% dos serviços de nuvem consumidos no Brasil estão hospedados fora do país.
“A gente espera que não só a gente consiga repatriar esses dados para o Brasil, mas também que consigamos atrair um volume grande de data centers de treinamento de inteligência artificial”, disse.
Como o Redata funciona Benefícios fiscais e contrapartidas que as empresas precisam cumprir para participar do Redata. – Layse Ventura via Gemini / Olhar Digital Na prática, as empresas habilitadas terão suspensão do Imposto de Importação, do PIS/Cofins, do PIS/Cofins-Importação e do IPI por cinco anos na compra de equipamentos.
Após o cumprimento dos compromissos, a suspensão se converte em isenção definitiva.
A estimativa do governo é de uma renúncia fiscal de R$ 5,2 bilhões em 2026, caindo para R$ 1 bilhão por ano nos dois anos seguintes.
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