Cientistas descobrem interruptor capaz de desligar a dor crônica no cérebro
Uma das doenças mais devastadoras e incapacitantes do mundo, a dor crônica é definida como uma dor persistente que se mantém para além do tempo normal de cicatrização dos tecidos.
Estima-se que cerca de 10% da população seja afetada por essa condição, embora esses números possam chegar a 25%, dependendo dos critérios diagnósticos adotados.
Ao contrário da dor aguda, que surge logo após uma lesão ou doença, dura no máximo 30 dias e serve como “sinal de alerta” do corpo, a dor crônica não desaparece com a cura da causa (muitas vezes nem apresenta causa clara) e persiste por mais de três meses, sendo tratada como uma patologia em si.
Embora seja uma das principais causas de incapacidade no mundo — por afetar emoções, sono, cognição, motivação e relações sociais —, essa condição crônica continua pouco compreendida , porque a rede cerebral envolvida nesses estados de dor de longo prazo ainda não havia sido totalmente mapeada.
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Kalil Parkinson avançado: por que os comprimidos deixam de funcionar com o tempo? O problema não é o celular: é o que acontece com você quando fica sem ele Agora, uma equipe internacional de cientistas, liderada por pesquisadores da Universidade da Pensilvânia (UPenn), nos EUA, descobriu que, dentro de uma região do tronco cerebral chamada núcleo parabraquial lateral (lPBN), os neurônios Y1R atuam como uma espécie de “central de controle” (hub) que regula a dor persistente .
De acordo com o estudo, publicado recentemente na revista Nature , apesar de serem muito diferentes entre si — em formato, posição e conexões —, esses neurônios expressam o receptor Y1 que, por sua vez, se liga ao neuropeptídeo Y (NPY), uma molécula mensageira de funções como apetite, estresse e modulação da dor.
Procurando a dor no cérebro Fluorescência mostra neurônios da fome no núcleo arqueado do hipotálamo, marcados em marrom, com núcleos mostrados em azul • J.
Nicholas Betley/Divulgação Em um comunicado, o líder da pesquisa, J.
Nicholas Betley, explica: “Por experiência própria, senti que, quando você está com muita fome, faz quase qualquer coisa para conseguir comida.
Quando se trata de dor crônica e persistente, a fome parecia ser mais eficaz do que o Advil na redução da dor ”, afirma.
Para observar os neurônios dispararem, em tempo real, nos modelos pré-clínicos (ratos de laboratório), os autores usaram uma técnica que detecta flutuações de cálcio dentro dos neurônios.
Eles conseguem “assistir ao cérebro ao vivo” quando um neurônio ativa um impulso elétrico, aumentando o nível de cálcio na célula.
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