Lula conquista histórico 4º mandato presidencial com virada inédita
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ‌conquistou neste domingo um inédito quarto mandato na Presidência da República, em um resultado histórico que marcou a primeira vez que um candidato que ficou atrás no primeiro turno se sagrou vencedor da disputa pelo Palácio do Planalto.
Ícone da esquerda global e figura mais dominante da política brasileira neste século, Lula derrotou o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro por 51,75% a 48,25%, com 98,27% das seções apuradas.
O senador havia ‌terminado o primeiro turno da eleição na liderança e buscava revitalizar o movimento de extrema-direita liderado por seu pai.
Em muitos momentos, a reeleição de Lula pareceu improvável, à medida que eleitores refletiam o desgaste com o presidente e com ‌o PT, apontando anos de escândalos de corrupção e alta dos preços ‌como motivos.
Sua vitória representa mais uma volta por cima em uma carreira marcada por reviravoltas. Lula esteve preso entre 2018 e 2019 por acusações de corrupção posteriormente anuladas, abrindo caminho para que derrotasse Jair Bolsonaro na eleição de 2022.
Durante a campanha, o petista destacou um histórico de redução da pobreza, da fome e da desigualdade, enquanto o desemprego, o analfabetismo e o desmatamento atingiram níveis recordes de baixa durante seu terceiro mandato.
Lula, que completa 81 anos na terça-feira e já é o presidente mais velho em exercício da história do Brasil, ignorou apelos para passar o bastão a uma nova geração.
Após ‌Jair Bolsonaro ser condenado por tentativa de golpe em 2022, Lula apresentou a disputa deste ano como uma batalha pela democracia para ‌a qual seria especialmente qualificado.
O quarto mandato de Lula, que também foi presidente entre 2003 e 2011, poderá ser o mais difícil de sua trajetória, uma vez que o Brasil elegeu o Congresso mais conservador desde a redemocratização.
O PL, partido de Bolsonaro, e legendas aliadas ‌poderão controlar mais de 280 cadeiras na ‌Câmara dos Deputados e até 50 assentos no Senado, garantindo maioria confortável em ambas as Casas.
"Ele provavelmente será um presidente enfraquecido desde o início", disse Oliver Stuenkel, professor de relações internacionais da Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo.
Segundo Stuenkel, a próxima legislatura deverá aprofundar a tendência recente de transferência de Poder do Executivo para o Legislativo. Ele prevê que Lula enfrentará influência reduzida sobre indicações ao Supremo Tribunal Federal (STF), coalizões partidárias difíceis de administrar e até mesmo a ameaça de impeachment.
Lula enfrentará uma economia que, segundo projeções do próprio governo, crescerá 2,3% no próximo ano, agravando preocupações fiscais relacionadas aos juros elevados e à dívida pública, que já supera 82% do PIB, o maior patamar desde a pandemia.
Críticos do presidente atribuem a situação ao aumento ‌dos gastos públicos, embora os custos com juros tenham respondido pela maior parte da expansão da dívida.
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