Um Grenal de muita informação
Antes do Grenal, um amigo sugeriu-me escrever sobre o sem-número de estrangeiros nos dois times, inclusive na comissão técnica.
(Aliás, um amigo que mora na Praia do Rosa, onde um dos quartos da casa principal é lembrado como o "quarto do Kfouri", pelas tantas vezes em que lá esteve um amigo da família, irmão do generoso colunista que abre espaço neste blog).
Depois do jogo, comentei ser impossível escrever sobre o jogo em si, tamanha a ruindade, ruindade milionária, ainda por cima - "um futebol em baixa", na formulação elegante do blog.
O que se pode dizer é que a profusão de nacionalidades é outro sinal de algo errado num futebol que, além de exportador, virou também um pobre importador.
Sul-americanos sempre tivemos, ainda que não tantos. Agora temos nipo-peruanos, caboverdeanos, belga-ganeses, escandinavos, e até croatas. Um deles, sozinho na marca do pênalti, não foi capaz de dominar uma bola lenta, pronta para as capas dos jornais do dia seguinte. Pareceu refletir que estava impedido, ao mesmo tempo em que precisava pensar o domínio da pelota. Era informação demais.
O Imortal até tem um brasileiro, centroavante de futebol americano, mais preocupado em desmontar adversários do que chutar para a rede quando solito na meia-lua, olhar e bater (mas era informação demais). Saiu barato, ele cuja primeira partida pelo Grêmio gerou manchete: Estreante na série A, Carlos Vinicius é expulso por cotovelada. O clube não conta com psicóloga como aquela do Richmond FC de Ted Lasso, capaz de alertar para o risco.
Lá pelas tantas, com tantos erros primários, veio uma sensação de desapego, dei-me conta que o resultado seria mesmo obra do acaso. Presente na cancha, um colorado fanático - tão fanático que esquia com boné do Inter - pensou em ir embora em meados do segundo tempo. "Já tava visto", resignou-se.
Comportamento impensável em outras épocas. Recordo-me de Grenais pelo Brasileirão em 1995, 1996, eu torcedor visitante no Beira-rio. Os pouquíssimos estrangeiros eram Arce e Gamarra, o script infalível: deriva de Paulo Nunes para o meio, assistência para Jardel, domínio/giro sobre o zagueiro, chute no repique da bola, caixa. Simples.
Agora sobram estrangeiros, mas também faltam gaúchos. Metade dos antigos craques citados por você em sua coluna, caro Juca, eram riograndenses (Renato, Ronaldinho, Carpegiani), para não falar de um catarinense da divisa (Falcão) ou um mineiro naturalizado portoalegrense (Tarciso Flecha Negra). Patrocinado pela também portoalegrense Tintas Renner, naquele Grêmio de 95 figuravam, entre outros, Danrlei e Roger (ex-aluno de minha mãe), e Arílson e Carlos Miguel.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Esporte.