Grãos embrulhados em folhas ficaram 2.200 anos dentro de uma tumba chinesa e podem representar um ancestral ritual do zongzi moderno
Pacotes de arroz e milhetos envoltos em folhas de carvalho revelam uma antiga tradição funerária do reino de Chu
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Dentro de uma câmara inundada da tumba de Wuwangdun, na província chinesa de Anhui, arqueólogos encontraram pequenos pacotes vegetais preservados por cerca de 2.200 anos. A estrutura lembra fortemente um zongzi antigo , com arroz e milhetos envoltos em folhas e amarrados por fibras vegetais. A grande diferença é que os grãos ainda estavam com casca, indicando que aqueles embrulhos provavelmente foram preparados como oferendas funerárias, não como refeições.
Os pacotes foram encontrados na Câmara Leste I da tumba atribuída ao rei Kaolie de Chu, morto em 238 a.C., durante o período dos Estados Combatentes. A água acumulada no espaço criou condições que favoreceram a conservação de folhas, sementes e outros materiais orgânicos que normalmente desapareceriam rapidamente.
A datação por carbono-14 do material vegetal colocou os embrulhos em aproximadamente 2.200 anos antes do presente, compatível com o contexto funerário da tumba. Para os pesquisadores, trata-se de uma das evidências arqueológicas mais antigas de uma tradição de envolver cereais em folhas na região associada ao antigo reino de Chu.
Os cientistas abriram amostras selecionadas e identificaram centenas de sementes. Cerca de 43,6% eram de arroz, Oryza sativa , enquanto aproximadamente 26,1% correspondiam ao milheto Panicum miliaceum e 28,5% ao painço Setaria italica .
As folhas que formavam os embrulhos foram identificadas como Quercus dentata , uma espécie de carvalho ainda utilizada em algumas regiões chinesas para preparar zongzi. As cordas eram feitas com materiais vegetais de gramíneas, reforçando a semelhança estrutural com os pacotes modernos.
Este vídeo da CGTN apresenta a tumba de Wuwangdun e seu contexto arqueológico no antigo reino de Chu.
O detalhe mais importante está no estado dos cereais. Grande parte das sementes permaneceu inteira e ainda com casca, condição pouco apropriada ao consumo direto. Análises de resíduos também encontraram pólen e fitólitos associados às partes não comestíveis das inflorescências de gramíneas.
Os pesquisadores consideram que esses elementos foram colocados deliberadamente nos embrulhos. Em vez de comida preparada para o morto consumir, seriam oferendas simbólicas nas quais os cereais representavam riqueza agrícola e recursos que poderiam acompanhar o falecido no mundo funerário.
Ainda não. A semelhança entre folhas envolvendo cereais e o zongzi atual é evidente, mas os próprios autores preferem tratá-los como possíveis precursores. Não foi possível determinar, por exemplo, se o arroz e os milhetos encontrados eram variedades glutinosas iguais às usadas frequentemente no prato atual.
O estudo publicado na National Science Review também destaca que estruturas semelhantes já foram identificadas em outro sítio ligado à cultura Chu.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.