“Qual pratinho você segura?”: CISO da Americanas fala sobre decidir no escuro durante um ataque
Três ou quatro dias sem dormir, equipes trabalhando de máscara e reuniões em estacionamentos para reduzir o risco de contágio.
É assim que Silvio Hayashi , hoje diretor de Segurança da Informação (CISO) da Americanas , lembra a resposta ao ataque cibernético que atingiu o Grupo Fleury em 2021, quando ele trabalhava na companhia.
O episódio aconteceu em plena pandemia de Covid-19, quando os serviços de saúde já operavam sob forte pressão.
Na ocasião, o acesso aos resultados de exames ficou fora do ar por cerca de uma semana, e o grupo REvil reivindicou a autoria do ataque.
Oficialmente, o Fleury tratou o caso como uma tentativa de ataque cibernético .
Hayashi contou essa experiência durante uma exibição para a imprensa do documentário Midnight in the War Room , promovida pela Semperis , empresa especializada em segurança e recuperação de sistemas de identidade.
Ao lado de Fernando Oliveira, vice-presidente da Semperis para a América Latina , o executivo falou sobre o que acontece dentro das empresas quando um ataque tira os sistemas do ar e as decisões chegam à presidência.
Decidir com informação incompleta Para Hayashi, a maior dificuldade é decidir sem ter o quadro completo.
Durante um incidente, a equipe pode levar tempo para descobrir como os criminosos entraram, quais sistemas foram comprometidos e quanto tempo será preciso para restabelecer as operações.
“Uma das coisas mais difíceis para um CISO é decidir onde proteger, que ação tomar, qual pratinho segurar.
Como equilibrar o apetite de risco? Como preparar os executivos para tomar decisões na incerteza? Não vejo muito disso acontecendo”, afirma.
Leia também: Corrigir falhas de segurança pode não impedir ataques às empresas A segurança vai para a sala da presidência Segundo Oliveira, os profissionais de cibersegurança da região têm dificuldade para explicar os riscos digitais a quem toma as decisões estratégicas.
Quando um ataque compromete sistemas essenciais, as reuniões de crise passam a envolver presidentes, vice-presidentes e diretores financeiros.
Eles querem entender por que as ferramentas de proteção não evitaram o incidente.
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