Após anos de esforços erráticos da indústria, chega a vez dos smartphones dobráveis
Por anos, os smartphones dobráveis prometiam muito, mas viraram um grande objeto de frustração para os consumidores.
Quando fechados, os primeiros modelos lembravam controles remotos estreitos, nos quais digitar sem erro era quase um milagre.
Abertos, revelavam telas internas quadradas que, ao reproduzir vídeos widescreen, eram engolidas por barras pretas.
Com esse início desastroso, o negócio parecia ter sido enterrado.
Mas as empresas não desistiram e parecem agora ter chegado a uma boa solução.
A indústria convergiu para o chamado “formato passaporte” — curto, largo, com dimensões que lembram as do documento de viagem.
Mais que tendência estética, o novo padrão resolve o problema de usabilidade que travava a categoria desde o início.
Os primeiros dobráveis apostavam em telas externas compridas e finas — bem mais estreitas que a tela de um celular comum.
O design era elegante, mas pouco prático: o teclado espremido gerava erros, obrigando o usuário a abrir o aparelho até para responder a uma mensagem rápida.
O apelido que a própria indústria deu ao problema — “ginástica de dedos” — resumia bem o sentimento geral dos usuários indignados.
FUNCIONAL - O Motorola Razr Fold em ação: o mais barato sai por 16 000 reais ./Divulgação O formato passaporte ataca esse gargalo por dois lados.
Dobrado, o aparelho ganha uma tela de cobertura mais curta e larga, parecida com a de um smartphone comum, o que dá espaço lateral ao teclado e facilita alcançar o topo da tela com o polegar.
Desdobrado, sua tela interna deixa de ser quadrada e passa a ter um formato mais retangular, como o de um caderno aberto, com espaço para dois aplicativos lado a lado, sem espremer o conteúdo.
Para o entretenimento, o formato reduz o impacto das barras pretas em vídeos; para a leitura, a diagramação remete a um livro de papel.
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