Lula repete estratégia de Jair Bolsonaro e faz tribuna da ONU de palanque eleitoral
Candidato à reeleição, o presidente Lula discursou, nesta terça, na Assembleia Geral da ONU como se estivesse num palanque de campanha.
O petista não é o primeiro presidente em busca de um novo mandato a fazer propaganda eleitoral na tribuna mais importante do planeta — Jair Bolsonaro fez a mesma coisa em 2022, quando tinha Lula como adversário –, mas a fala pareceu desperdiçar oportunidades para construir pontes e tratar de temas caros ao setor produtivo nacional.
No discurso desta terça, Lula mesclou temas internacionais e assuntos domésticos para tentar equilibrar o viés eleitoral e a mensagem que a diplomacia queria passar — em grande parte formada por duros recados ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Logo no início da fala, o petista lembrou os presentes que quem estava falando na tribuna “era um operário eleito três vezes presidente e que retirou o Brasil do Mapa da Fome”.
Na sequência, soou como defensor da democracia ao alertar que o sistema “está novamente em xeque”.
“Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais”, disse Lula, passando a falar sobre supostas tentativas do governo de Donald Trump de influenciar nas eleições para o Planalto, beneficiando Flávio Bolsonaro .
“Não permitiremos que os inimigos da democracia, internos e externos, atentem contra a vontade popular.
Não subestimamos o desafio das redes de desinformação que pretendem desvirtuar o debate público durante a campanha… Teremos um pleito transparente e competitivo […] Sabemos que alguns abusam dessa liberdade para se associar a interesses estrangeiros contrários ao país”, disse Lula.
Continua após a publicidade O petista tirou da cartola algumas propostas de campanha que soaram desconexas para uma plateia distante dos temas domésticos, como o fim da jornada 6×1.
“O trabalhador precisa de tempo para descansar, se qualificar e conviver com a família.
No Brasil, concretizar esse objetivo passa pelo fim da chamada escala 6×1 para garantir ao trabalhador 2 dias livres por semana.
Essa mudança é fundamental para aliviar a sobrecarga doméstica que ainda recai sobre as mulheres”, disse Lula.
Ciente de que perde votos por causa do avanço da violência e pelo fracasso de seu atual mandato em elaborar políticas sobre segurança pública, Lula abordou um tema que envolve os Estados Unidos e beneficia a campanha de Flávio: a classificação de facções brasileiras como organizações terroristas pelo governo norte-americano.
Continua após a publicidade “Em 2025, realizamos a maior operação contra o crime organizado da história do Brasil […] A Lei Antifacção que acabamos de aprovar impõe ao crime organizado penas superiores às previstas para o terrorismo.
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