Crise no STF domina campanha eleitoral e esvazia debate sobre proposta
Prédio do STF, em Brasília Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil A crise no Supremo Tribunal Federal tomou o centro da campanha eleitoral e esvaziou o espaço para a discussão de propostas.
Sem um desfecho, o desgaste do tribunal se prolonga e interfere nas estratégias dos candidatos à Presidência.
Na própria campanha do presidente Lula, a avaliação é que Flávio Bolsonaro consegue explorar politicamente esse cenário e obter dividendos eleitorais enquanto o Supremo permanecer como foco da disputa.
A preocupação ajuda a explicar a defesa enfática, feita por uma ala da campanha, de que Lula se afaste cada vez mais da crise.
Para esse grupo, o presidente precisa ir além das declarações de que todos devem ser investigados e cobrar a apuração de forma mais contundente.
Embora vários ministros sejam citados e tenham explicações a dar, a avaliação é que o desgaste está muito concentrado na figura de Alexandre de Moraes.
Agora no g1 A crise também atravessa uma estratégia que a campanha de Lula vinha tentando consolidar: fazer da soberania o assunto central da eleição.
A participação do presidente na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, já estava prevista na agenda.
A campanha, porém, busca transformar o evento em um ativo eleitoral, aproveitando o discurso e a exposição internacional para reforçar a imagem de Lula como estadista.
O material produzido durante a viagem pode abastecer a campanha e dar destaque a essa mensagem.
No retorno ao Brasil, no entanto, o presidente volta a se deparar com uma crise no Supremo que continua sem solução e ocupa o debate político.
Do outro lado, Flávio Bolsonaro tenta manter o desgaste do tribunal no centro da campanha.
A estratégia busca atingir ministros vistos como mais próximos de Lula, entre eles Moraes.
Isso ocorre apesar de o próprio Flávio ainda não ter esclarecido o pedido de dinheiro feito a Daniel Vorcaro para o que seria a produção de um filme sobre o pai, Jair Bolsonaro.
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