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A guerra tomou a tribuna da paz

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A guerra tomou a tribuna da paz

A palavra “aniquilar” entrou pela porta principal das Nações Unidas.

Não saiu de um general cercado de mapas, nem escapou de uma reunião secreta.

Foi pronunciada pelo presidente dos Estados Unidos diante dos representantes do mundo, na tribuna construída para impedir que a força decidisse quais países merecem existir.

Em 22 de setembro de 2026, Donald Trump perguntou se faria um acordo com o Irã ou aniquilaria a República Islâmica “rapidamente”.

A ameaça recebeu tradução simultânea, registro oficial e a solenidade reservada aos chefes de Estado.

A cena ultrapassa outra excentricidade verbal de Trump.

A maior potência militar do planeta apresentou a destruição de um Estado-membro como alternativa de política externa.

O presidente celebrou a operação armada que capturou Nicolás Maduro, converteu a Venezuela em advertência ao continente e assegurou que empregará poder militar para proteger interesses nacionais.

Antes, ameaçara tomar a Groenlândia.

A linguagem imperial abandonou qualquer disfarce e ocupou o microfone da instituição criada para restringi-la.

A 81ª Assembleia Geral revelou um mundo que ampliou sua capacidade científica enquanto encolhia sua imaginação política.

Sabemos alterar genes, fotografar galáxias distantes e fazer máquinas aprenderem; continuamos, porém, entregando a solução de conflitos à mesma gramática de cerco, conquista e vingança que governava tribos antigas.

O espanto maior reside nessa convivência entre inteligência técnica e indigência coletiva: as armas mudaram de século, mas muitos governantes permaneceram séculos atrás.

A febre do poder A ameaça contra o Irã oferece o sintoma mais visível de uma doença extensa.

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