Gerdau ganha proteção contra dólar alto com operação nos EUA, dizem bancos
A força dos negócios nos Estados Unidos e a exposição ao dólar colocam a Gerdau em posição favorável para enfrentar a turbulência no mercado brasileiro, segundo análises do BTG Pactual, Itaú BBA e Safra após o balanço do terceiro trimestre. Os bancos destacam que a rentabilidade da operação americana ajuda a compensar as dificuldades enfrentadas pela siderúrgica no Brasil.
O resultado operacional ajustado, medido pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), chegou a R$ 3,77 bilhões, alta de 10% em relação ao trimestre anterior e de 38% em um ano. O número ficou aproximadamente 2% acima da média das projeções do mercado citadas nos relatórios.
Às 11h10 desta terça-feira (27), as ações preferenciais da Gerdau (GGBR4) subiam 0,94%, cotadas a R$ 25,69.
Operação americana protege a Gerdau da desvalorização do real. Segundo o BTG Pactual, em análise da equipe de Leonardo Correa, mais de 75% do Ebitda da companhia é gerado nos Estados Unidos. Como os resultados são obtidos em dólares, passam a representar mais reais quando convertidos para a moeda brasileira.
Dólar 10% mais caro poderia elevar o resultado operacional em 15%. A estimativa é de uma simulação do BTG, que considera o impacto da variação cambial sobre os negócios da siderúrgica. O cálculo não representa uma revisão formal das projeções de lucro.
A Gerdau também oferece uma das exposições cambiais mais atraentes entre as empresas brasileiras que acompanhamos. BTG Pactual, em relatório
Preços maiores impulsionaram a rentabilidade nos Estados Unidos. A margem Ebitda da operação norte-americana subiu de 25,7% para 27,7%. Isso significa que, a cada US$ 100 em vendas, a empresa passou a gerar US$ 27,70 de resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização.
Carteira de pedidos também indica demanda favorável. O BTG destaca que a Gerdau tem encomendas para mais de 100 dias na região. Os preços praticados aumentaram 5% em dólares em relação ao segundo trimestre, compensando a redução dos volumes vendidos.
Itaú BBA também vê operação americana como principal motor dos resultados. Em relatório de Daniel Sasson, Marcelo Furlan Palhares e João Paulo Helito, o banco avalia que o balanço foi levemente positivo e espera que os Estados Unidos continuem sustentando o desempenho no quarto trimestre.
Parada de manutenção teve impacto limitado. Segundo o Itaú, os embarques na América do Norte caíram 3%, mas a Gerdau havia formado estoques antecipadamente para enfrentar a interrupção na unidade de Midlothian, reduzindo os efeitos sobre as entregas.
Operação brasileira apresentou recuperação, mas margens seguem menores. O Ebitda no país chegou a R$ 741 milhões, com margem de 10,7%. Segundo o Itaú, preços melhores e maior participação das vendas domésticas ajudaram a compensar o aumento dos custos com matérias-primas e manutenção.
Safra espera melhora gradual no Brasil. Em relatório de Ricardo Monegaglia e Caique Isidoro, o banco aponta demanda ainda moderada por aço e risco de pressão adicional dos custos com insumos e câmbio no quarto trimestre.
Geração de caixa ficou abaixo da expectativa do Safra.
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