Emissões de CO₂ da China caem com avanço dos elétricos e corte no uso de petróleo
As emissões de dióxido de carbono (CO₂) da China caíram 1% no segundo trimestre de 2026, mesmo com o aumento do uso de transportes no país.
A redução foi impulsionada principalmente pela queda no consumo de petróleo, enquanto a expansão dos veículos elétricos, do transporte público e das ferrovias ajudou a reduzir a dependência de gasolina e diesel.
Os dados, compilados pelo Centre for Research on Energy and Clean Air (CREA) e publicados pela Carbon Brief, mostram como a maior economia da Ásia conseguiu absorver parte do impacto provocado pela crise no estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio mundial de petróleo.
A China reduziu em 32% as importações de petróleo no trimestre, o equivalente a cerca de 1 milhão de barris por dia.
O consumo total de petróleo caiu 9%, enquanto a utilização de combustíveis no setor de transportes recuou 16%.
O resultado chama atenção porque ocorreu em um período de forte instabilidade no mercado internacional de energia.
Os preços do petróleo chegaram a subir cerca de 60% nas semanas e meses seguintes aos primeiros ataques americanos contra o Irã, no fim de fevereiro.
Continua após a publicidade Carros elétricos substituem petróleo A queda no consumo de combustíveis não significou uma redução proporcional na atividade de transportes.
Pelo contrário: chineses continuaram ampliando seus deslocamentos, mas utilizando cada vez mais veículos elétricos, ônibus, trens e caminhões movidos a eletricidade.
A eletrificação do transporte vem avançando há anos na China, que se tornou líder mundial na fabricação, no consumo e na exportação de veículos elétricos, baterias, painéis solares e turbinas eólicas.
Segundo a análise, apenas nos seis primeiros meses de 2026, a expansão dos veículos elétricos na China evitou um consumo de petróleo equivalente a todo o consumo britânico do combustível no mesmo período.
Continua após a publicidade Para Lauri Myllyvirta, analista-chefe do Centre for Research on Energy and Clean Air, a crise energética acelerou uma mudança que já estava em curso.
A avaliação é que parte da demanda por petróleo perdida durante o período de preços elevados pode não retornar mesmo se as cotações internacionais voltarem a cair.
A eletrificação do transporte, nesse cenário, passa a funcionar não apenas como política climática, mas também como estratégia de segurança energética.
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