Recurso Especial: a Justiça está ficando cara demais
O acesso à Justiça está ficando cada vez mais caro.
E uma mudança anunciada para as custas do Recurso Especial, dirigido ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), merece atenção.
A partir de 2027, recorrer àquela Corte poderá representar uma despesa muito superior à atualmente exigida.
É uma notícia preocupante para advogados e, sobretudo, para os cidadãos que precisam da Justiça.
O Recurso Especial tem uma função importantíssima: permitir que o STJ examine determinadas controvérsias sobre a interpretação e a aplicação da legislação federal.
Não se trata de um recurso destinado a rediscutir livremente todos os fatos de um processo, mas de um instrumento essencial para a uniformidade do Direito em todo o país.
Segundo os valores anunciados para o novo regime, as custas deixarão de corresponder ao valor fixo de R$ 270,12 e passarão a ser calculadas em 2% do valor atualizado da causa, observado o mínimo de R$ 1.325,45 e o máximo de R$ 107.332,80.
Os exemplos impressionam.
Em uma causa de R$ 500 mil, o preparo poderá alcançar R$ 10 mil.
Em uma demanda de R$ 1 milhão, R$ 20 mil.
Nas causas de maior valor, poderá chegar a mais de R$ 107 mil.
Comparado à cobrança atual, o teto representa um aumento de aproximadamente 397 vezes.
É verdade que o funcionamento da Justiça tem custos e que o Estado precisa de recursos para manter sua estrutura.
Também é legítimo discutir critérios proporcionais ao conteúdo econômico das demandas.
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