Fed sobe juros: o que a decisão significa para o Brasil e os mercados
O Federal Reserve (Fed) voltou a elevar os juros dos Estados Unidos nesta quarta-feira, 16, em um movimento que já era amplamente esperado pelo mercado, mas cujas consequências podem se estender muito além da economia americana.
A combinação de inflação resistente, petróleo mais caro e preocupações fiscais aumenta a possibilidade de os juros permanecerem elevados, e coloca pressão adicional sobre países emergentes, como o Brasil.
Por decisão unânime, o banco central americano elevou a taxa em 0,25 ponto percentual, do intervalo entre 3,50% e 3,75% para 3,75% a 4% ao ano.
Foi a primeira alta desde julho de 2023.
Antes do anúncio, cerca de 90% do mercado já esperava um aumento dessa magnitude.
Por isso, mais importante do que a decisão desta quarta é o que vem depois.
As novas projeções divulgadas pelo Fed indicam que a taxa deve terminar 2026 em 4,1%, sinalizando espaço para mais uma alta neste ano.
A mediana das projeções aponta ainda para manutenção desse patamar em 2027.
A inflação ajuda a explicar a mudança de direção da política monetária americana.
O Fed elevou para 3,7% sua projeção para o PCE, seu índice de preços de referência, no fim de 2026, ante estimativa de 3,6% em junho.
A autoridade monetária agora espera que a inflação alcance a meta de 2% apenas em 2029.
Continua após a publicidade Parte da pressão recente vem da energia.
A escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio levou o petróleo novamente para patamares acima dos US$ 100 por barril, acrescentando uma nova fonte de incerteza ao processo de desinflação.
“Diante desse cenário, entendemos que a alta anunciada hoje dificilmente representará o último movimento de aperto monetário do Federal Reserve”, afirma Rafael Pastorello, portfólio manager do Banco Sofisa.
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