Um peixe do abismo abre a garganta como uma bolsa enorme para aproveitar encontros raros com comida onde quase nada cai
Mandíbulas alongadas e uma cavidade bucal extremamente expansível ajudam o peixe a aproveitar oportunidades de alimentação no oceano profundo
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR No oceano profundo, encontrar alimento pode exigir mais paciência do que velocidade. O Eurypharynx pelecanoides , conhecido como gulper eel , possui mandíbulas extraordinariamente alongadas e uma cavidade bucal muito distensível, capaz de se expandir rapidamente quando o animal encontra uma oportunidade de alimentação. A adaptação combina com um ambiente escuro, frio e pobre em recursos, onde desperdiçar uma refeição potencial pode custar caro.
O Eurypharynx pelecanoides pertence a um grupo especializado de peixes do oceano profundo. Sua cabeça parece pequena quando comparada às enormes mandíbulas, que se estendem muito para trás e formam uma abertura capaz de ocupar grande parte da região anterior do corpo.
A cavidade bucal também é extremamente distensível. Quando o animal expande essa estrutura, sua aparência muda completamente. Isso não significa, porém, que ele passe a engolir rotineiramente animais maiores que todo o próprio corpo. Estudos sobre sua dieta mostram que crustáceos constituem uma parcela importante da alimentação, acompanhados por peixes, cefalópodes e outros invertebrados.
A vantagem está na capacidade de aproveitar oportunidades imprevisíveis. Em águas profundas, a quantidade de alimento disponível pode ser pequena e irregular. Uma abertura bucal ampla permite interceptar presas ou conjuntos de organismos sem exigir perseguições longas, que consumiriam energia preciosa.
A adaptação também funciona em conjunto com o corpo comprido e relativamente delicado do animal. Em vez de possuir musculatura comparável à de predadores rápidos das camadas superiores, o peixe depende de uma estratégia mais econômica, adequada às condições das zonas mesopelágica, batipelágica e até de registros muito mais profundos.
Este registro do E/V Nautilus mostra um jovem Eurypharynx pelecanoides expandindo dramaticamente sua cavidade bucal durante uma observação no Pacífico.
Registros compilados para a espécie indicam ocorrências entre aproximadamente 500 e 7.625 metros, embora muitas referências a coloquem com frequência em águas ao redor de 1.200 a 1.400 metros. Sua distribuição é ampla, alcançando águas tropicais e temperadas de diferentes oceanos.
Essa faixa significa que o animal pode encontrar pressões dezenas ou centenas de vezes superiores à atmosférica. Como outros organismos de profundidade, sua fisiologia precisa funcionar sem cavidades cheias de gás semelhantes às que causariam problemas em mudanças extremas de pressão. A espécie também não possui bexiga natatória típica.
Não. A imagem de um peixe capaz de engolir qualquer coisa maior do que ele é uma simplificação popular.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.