Polêmico e sem conteúdo: Mourinho termina primeiro desafio no Real Madrid como o esperado
No fim, José Mourinho conseguiu. Toda a repercussão da derrota do Real Madrid para o rival Atlético de Madrid está voltada à arbitragem. Ninguém fala do desempenho merengue, e sim das possíveis expulsões de Cristian Romero e Lee Kang-in em pisões na etapa inicial, quando o placar ainda estava zerado.
As reclamações nem são absurdas. Há quem acredite que pelo menos um deles, especialmente o sul-coreano, poderia ter sido expulso pela entrada em Fede Valverde . A forma é como o discurso, tanto do técnico português como do clube institucionalmente, transforma a situação e muda a narrativa para aspectos fora do jogo.
A Real Madrid TV falou em “abandonar” La Liga . Com fotos impressas dos lances polêmicos, Mourinho citou o “caso Negreira” — a comissão que o Barcelona pagava para o chefe da arbitragem do futebol local por serviço de consultoria — como uma forma de dizer que o campeonato está manchado, que está tudo “tramado” para tirar o título merengue. “Se nos deixarem competir em igualdade de condições, nós competiremos.”
A real é que nada disso está apegado ao que tem acontecido nos gramados . O “Special One”, apelido que o treinador deu a si mesmo há 22 anos, quando era um dos melhores do mundo, conseguiu, com suas falácias, esconder mais um insucesso.
Os trabalhos recentes de José Mourinho foram pautados, em especial, nos embates contra a arbitragem . Roma , Fenerbahçe e Benfica. Esportivamente, só teve sucesso na Itália. Em comum, todos tiveram críticas ferrenhas aos árbitros, muitas vezes ultrapassando a linha do que é uma reclamação natural.
Depois de perder o Campeonato Turco 2024/25, disse que o título já estava “ decidido antes mesmo de começar “. Em Portugal, onde também não foi campeão nacional, acumulou ataques, discussão calorosa com juiz em campo e até abandono de entrevista coletiva.
Essa postura não é diferenciada, algo que só o português faz. Até quando estava no auge, teve polêmica com árbitros. Mas, naquela época, o campo pelo menos “respondia”. Hoje, muitas vezes, serve para esconder o que é visto nos gramados. No primeiro clássico em seu retorno ao Real Madrid, foi exatamente isso.
O Atlético de Madrid soube exatamente como anular o adversário e levar a partida para os embates físicos. No primeiro tempo, ainda 11 contra 11, o visitante no Metropolitano não criou uma mísera chance, tendo um time estrelado com Kylian Mbappé, Vinícius Junior, Jude Bellingham, Arda Güler e outros limitado a 0.14 gol esperado na primeira parte.
Com um a menos a partir da expulsão de Dean Huijsen no começo da etapa final, tudo ficou mais natural para os Colchoneros, que poderiam ter vencido por mais de 2 a 1 se não fosse Thibaut Courtois.
Os Merengues atualmente contam com um dos melhores elencos do mundo. A janela de transferências, com investimento de 225 milhões de euros e seis bons reforços, tornou o grupo pronto para tentar voltar a conquistar taças, que não vem desde 2024.
Mas Mourinho não tem entregado à altura. O duelo com o Atlético de Madrid é a continuação do que vinha sendo visto em partidas anteriores, apesar de desafios menores.
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