Oriente Médio: guerra no Mar Vermelho ameaça 4% do petróleo do mundo
Nesta semana, com o ataque ao principal oleoduto da Arábia Saudita e a tomada de controle, pelos houthis do Iêmen, da costa por onde passa o comércio do mar Vermelho, 4% do suprimento global de petróleo fica ameaçado.
A situação agrava a crise energética e inflacionária decorrente da guerra no Oriente Médio.
Na sexta-feira (10), drones atingiram o oleoduto que liga os campos petrolíferos sauditas do oeste do país ao porto de Yanbu, no mar Vermelho.
Devido à restrição de trânsito no estreito de Hormuz pelo Irã em conflito com os Estados Unidos, a via tornou-se vital para as exportações de Riad.
Segundo maior produtor do mundo, o reino passou a escoar até 70% de seu petróleo pelo mar Vermelho.
O ataque da sexta foi lançado do Iraque por aliados do Irã e dos houthis segundo os sauditas, mas ninguém assumiu a autoria.
Segundo agências de notícias, o estoque de petróleo em Yanbu dura no máximo mais uma semana, e é incerto quando o oleoduto será reativado porque a operadora Aramco não divulga a extensão dos danos que, por imagens de satélite, pareciam grandes.
Para agravar o quadro para os sauditas, os rebeldes houthis, apoiados pelo Irã, seguem consolidando sua posição na costa iemenita do mar Vermelho.
Já controlam o acesso e as ilhas do estreito de Bab el-Mandeb, que liga a região ao oceano Índico, e neste domingo (13) estavam preparando o assalto à última cidade do norte da costa ainda dominada pelo governo do país reconhecido internacionalmente.
Os rebeldes prometem permitir o tráfego de quaisquer navios que não tenham destino ou origem em portos sauditas, e agora estão mais bem posicionados para tal.
O bloqueio que haviam anunciado em julho não foi tão efetivo quanto o iraniano em Hormuz, onde o tráfego mercantil caiu a cerca de 10% do nível pré-guerra.
Pela via do Golfo Pérsico passavam 20% da produção mundial de petróleo e gás natural liquefeito antes de Donald Trump atacar o Irã em fevereiro.
Os combates seguiram na região neste domingo.
Segundo os rebeldes, uma base militar saudita foi atingida por mísseis do grupo, e Riad respondeu com 123 ataques aéreos em 24 horas.
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