Revólver entra em cadeia após PCC pagar R$ 300 por visita íntima
Um revólver calibre .38 que seria usado na fuga de presos da Cadeia Pública de Carapicuíba entrou no cárcere durante uma visita íntima irregular, liberada após o pagamento de R$ 300. A versão é relatada pelos próprios detentos investigados pelo plano, que teria sido articulado por integrantes do PCC. A cadeia funciona no mesmo prédio do 1º Distrito Policial da cidade da Grande São Paulo.
Júlio Cesar Moura Batista, o Peste, contou à Polícia Civil que Wagno Barbosa dos Santos, o Grande, pagou pelo encontro. “O ‘Grande’ pagou 300 reais para receber uma visita íntima”, afirmou. Segundo ele, a visitante levou o revólver escondido e Grande conseguiu colocá-lo dentro da cadeia “sem ninguém perceber”. Júlio disse ainda que a arma havia sido providenciada porque “haviam membros do PCC na cadeia que queriam fugir durante o final de semana”.
Lucas Soares de Lima, o Quadrado, corroborou a versão e colocou Ozimael Fonseca Pontes, o Fera, no centro da articulação. Segundo ele, Fera chegou à cadeia dizendo que “fechava na disciplina de Barueri”, conseguiu acesso a um celular e fez “umas seis, sete chamadas pedindo um resgate”. Depois, “arrumou com o Grande para ele receber uma visita e trazer a arma para dentro”.
A cadeia ficou no escuro A Polícia Civil já havia recebido uma denúncia anônima de que Quadrado e outros presos planejavam fugir entre 9 e 10 de agosto e poderiam atacar policiais do plantão. Sem saber exatamente como ocorreria a ação, a autoridade policial pediu apoio à Guarda Civil Municipal. Duas viaturas foram enviadas para proteger o prédio durante a madrugada.
Então, a iluminação de seis postes no entorno da delegacia foi desligada. Policiais também ouviram gritos vindos das celas. O carcereiro Ailton Soares de Oliveira afirmou que os presos estavam agitados e tentavam chamar sua atenção. Ele disse acreditar que pretendiam atraí-lo para uma emboscada. Diante da movimentação, o Grupo de Operações Especiais (GOE) foi acionado para entrar na cadeia.
Na revista, foram apreendidos o revólver Taurus calibre .38, com numeração suprimida e cinco munições intactas, duas serras, dois celulares, quatro furadores artesanais, cinco facas serrilhadas, cinco carregadores, um fone de ouvido e um alicate. A arma estava escondida sob um cobertor na cama de Lucas James Oliveira Moura da Silva, o Capivara.
“Temos quarenta anos para puxar” Os relatos dos próprios presos apontam Fera e Quadrado como duas figuras centrais do plano. Quadrado disse que Fera reuniu Júlio César, Grande, Capivara e Paulo Sérgio Soares Almeida, o Paulinho, para discutir a fuga. Ao explicar por que o grupo pretendia sair, resumiu: “Temos quarenta anos para puxar”.
Segundo Quadrado, Fera determinou que, “se o salve vim, todos têm que fugir” e afirmou que quem se recusasse poderia ser “decretado” — expressão usada no crime para indicar uma punição. O preso contou ainda que o grupo já providenciava um “cavalo”, como chamavam o veículo que aguardaria do lado de fora. “Fera iria descer para a Baixada Santista”, declarou.
Grande também atribuiu a Fera a arma e a organização da ação. “Fera mandou ele pegar a arma com uma menina em uma visita”, consta em seu relato.
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