FAB nega planos de voo de Vorcaro e contraria entendimento da CGU
O Comando da Aeronáutica negou acesso aos planos de voo do jato que levaria Daniel Vorcaro a Dubai em novembro de 2025, na noite em que o então dono do Banco Master foi preso pela PF (Polícia Federal) no aeroporto de Guarulhos.
A negativa contraria entendimento da CGU (Controladoria-Geral da União). Em maio, o órgão mandou a FAB entregar a lista de voos de um aeroporto da Bahia com prefixo, origem e destino das aeronaves, nos moldes de listas que a própria Aeronáutica já tinha fornecido.
O UOL pediu os dados por meio da LAI (Lei de Acesso à Informação). A Aeronáutica alegou que se tratava de informação pessoal e recusou até a entrega parcial, com nomes ocultados.
Ainda cabe recurso do pedido —ele será analisado pelas autoridades superiores e depois, se for o caso, pela própria CGU.
Os registros mostrariam quando a viagem foi marcada e quantas vezes foi alterada. A sequência importa porque mensagens obtidas pela PF indicam que Vorcaro antecipou a saída do país depois de falar com o contato salvo em seu celular como "Alexandre de Moraes BRASILIA".
Em 15 de novembro, um sábado, Vorcaro perguntou a Moraes se já deveria "estar fora" na segunda-feira. As mensagens recuperadas pela PF não mostram a resposta.
Dois dias depois, ele foi preso ao chegar ao avião operado por uma empresa sua, a Viking Participações, que partiria para Dubai.
O plano de voo apresentado por Vorcaro à Justiça previa a saída de Vorcaro na terça-feira à noite, dia 18. O voo foi antecipado para o dia 17. A análise dos planos de voo apresentados à FAB permitiria descobrir quando essa alteração ocorreu.
Até a sexta-feira, 14 de novembro, a ida a Dubai estava prevista para a quarta seguinte, segundo mensagens de Vorcaro à equipe que cuidava de seus aviões.
Na noite de sábado, depois da conversa com o contato, a empresa que despachava o jato pediu atendimento e autorização de pouso em Dubai.
O pedido, porém, ainda previa a chegada a Dubai na quinta-feira, 20, com saída de Milão, na Itália. O e-mail faz parte dos documentos que a defesa entregou ao STF.
Na reclamação que apresentou ao STF (Supremo Tribunal Federal) logo após a prisão, a defesa juntou dois planos de voo do PS-FST.
O primeiro previa a saída de Guarulhos às 23h10 de terça-feira, 18 de novembro, com quatro pessoas a bordo e 11 horas e meia de voo até Malta.
O segundo levaria o jato de Malta a Dubai no dia seguinte. Segundo os advogados, a escala se devia só à necessidade de reabastecer, porque o avião não tem autonomia para voar direto.
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