Das pesquisas eleitorais à tarifa zero: a tríade que atropelou o Ibovespa e disparou o dólar
Em uma sessão marcada do início ao fim pelo nervosismo doméstico, a bolsa brasileira operou sob pressão da corrida eleitoral acirrada e da aprovação do fim da escala 6x1 no Senado.
Na reta final, foi atropelada por notícias de que a campanha do presidente Lula estuda resgatar a proposta de tarifa zero no transporte público aos fins de semana e feriados.
Divulgada na véspera com o pregão à vista fechado, a nova pesquisa Quaest já havia pesado sobre o índice futuro no fim da tarde anterior, antecipando a pressão que ditou o ritmo dos negócios hoje.
“Como o Ibovespa já estava fechado, o mercado reagiu no índice futuro e vemos o resultado nesta sessão, já que parecem desconexos, muito em conta da queda de 1% nos últimos 30 minutos de negociação do índice futuro”, explica Lucas Xavier, head da mesa de renda variável e sócio da AW Capital.
A confirmação do cenário de empate técnico no segundo turno, com Flávio Bolsonaro (PL) registrando 46% e o presidente Lula (PT) alcançando 44% das intenções de voto, acendeu uma luz amarela no mercado.
Com uma disputa mais acirrada entre o petista e o senador do PL, os gestores reduziram o risco das carteiras e passaram a exigir um retorno maior para manter investimentos no país.
A percepção de que o governo atual pode intensificar acenos de apelo popular para buscar a virada ganhou força no fim da tarde, com a notícia de que a campanha de Lula estuda resgatar a proposta de tarifa zero no transporte público aos fins de semana e feriados.
O movimento trouxe ruído fiscal para o mercado, acelerando as perdas do Ibovespa e elevando o estresse sobre os ativos nos momentos finais do pregão.
Como se a tensão eleitoral já não impusesse volatilidade suficiente, o Senado entregou mais uma dose de incerteza ao aprovar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que decreta o fim da escala de trabalho 6x1.
O fim da escala 6x1 traz algum temor ao mercado por conta da perspectiva de aumento da inflação e do impacto no resultado de algumas empresas da bolsa.
Como a nova regra proíbe a redução salarial na transição de jornada, os setores mais dependentes de equipes intensivas e de funcionamento em horários estendidos tendem a sentir o efeito no caixa.
É o caso do varejo, com destaque para o segmento farmacêutico, como Pague Menos e Panvel, onde as despesas com folha de pagamento costumam responder por 30% a 50% dos custos de vendas.
"Setores intensivos em mão de obra e com parcela relevante de seus funcionários submetida a escalas de trabalho em 6x1 e/ou superiores a 40 horas semanais tendem a sofrer maior pressão sobre os custos com pessoal", explica Arthur Bonifácio, analista da Eleven Financial.
Xavier pondera que a redução da jornada impõe um replanejamento imediato às companhias.
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