Muito além da colonização: as marcas dos imigrantes que permanecem em Santa Catarina
Alemães, italianos, ucranianos e outras dezenas de nacionalidades atravessaram o oceano em busca de uma vida melhor em Santa Catarina.
Eles chegaram de navio, muitos sem saber exatamente o que encontrariam do outro lado do Atlântico. Alguns traziam ferramentas. Outros, documentos, promessas de terra e contratos. Quase todos carregavam pouco mais do que aquilo que cabia nas mãos — e uma esperança grande demais para caber em qualquer mala.
Os imigrantes que transformaram costumes, receitas, idiomas, fé e trabalho em marcas que atravessaram gerações e ajudaram a construir a identidade do Estado são tema do próximo episódio da série 500 anos de Santa Catarina. O projeto multiplataforma do grupo ND traz de hoje até sexta-feira, no Balanço Geral e ND Notícias, matérias especiais contando histórias das diversas etnias que vieram viver por aqui.
Entre a metade do século 19 e o início do século 20, milhares europeus atravessaram o oceano em direção a Santa Catarina . Alemães, italianos, poloneses, ucranianos, austríacos, gregos, japoneses e tantos outros grupos encontraram aqui uma terra que ainda estava sendo ocupada, disputada e transformada.
Primeiro, muitos foram atraídos por projetos de colonização subsidiados pelo Império. Depois, com a Lei de Terras, ganharam força as colônias privadas, nas quais os lotes passaram a ser vendidos aos imigrantes.
Todos esses imigrantes deixaram marcas na arquitetura, na agricultura, na indústria, na religiosidade, na música e, talvez de maneira mais íntima, dentro das cozinhas. O alemão continuou sendo falado entre famílias. A polenta foi para a mesa. O vinho passou de pai para filho. Clubes de caça e tiro se transformaram em espaços de confraternização. Igrejas e escolas viraram pontos de encontro.
A cerca de 25 quilômetros do centro de Blumenau, a Vila Itoupava parece ter escolhido outro ritmo para o relógio. As casas em estilo enxaimel — técnica que utiliza estruturas de madeira entrelaçadas — lembram a arquitetura trazida pelos primeiros colonos. Algumas construções foram preservadas e tombadas como patrimônio histórico.
Mas a herança alemã não está apenas nas paredes. Ela também está na língua. Em muitas famílias, diferentes dialetos ainda sobrevivem. Plattdeutsch, Hochdeutsch, pomerano e Hunsrückisch fazem parte de um mosaico linguístico que atravessou gerações.
A historiadora e curadora do projeto SC 500 Anos , Sueli Petry, chama atenção para uma situação curiosa: alguns desses dialetos praticamente desapareceram na própria Alemanha e permanecem preservados em comunidades catarinenses. “São dialetos que não existem mais, ou só nas velhas gerações de 80 anos na Europa, na Alemanha.”
A preservação não acontece apenas nos livros. Ela aparece na conversa entre avós, pais e filhos — e também na comida. Em restaurantes típicos, pratos como marreco recheado, repolho roxo, chucrute, salsichas, spätzle e strudel continuam sendo preparados.
E além das conversas e da gastronomia, a fé luterana que chegou com os primeiros colonos protestantes, marcou um Brasil que era oficialmente católico, até o fim do Império.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em ndmais.com.br — o conteúdo pertence a ND+.