Escolas têm relatos de bullying político entre alunos após tensão na disputa eleitoral
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Toda a tensão vivida pelos eleitores do presidente Lula ( PT ) e do senador Flávio Bolsonaro ( PL ) no segundo turno das eleições , no último domingo (25), refletiu-se em instituições escolares nos dias seguintes, com crianças fazendo bullying político contra os colegas.
A maioria dos casos aos quais a Folha teve acesso é de filhos de apoiadores de Bolsonaro direcionando ofensas, ameaças e xingamentos a estudantes filhos de defensores do candidato petista, que se reelegeu.
Mas também há reclamações do lado oposto, como a de um estudante de 16 anos do Centro Educacional 6 do Gama, no Distrito Federal . Ele afirmou nas redes sociais ter sofrido perseguição na escola após o primeiro turno da eleição por apoiar Flávio Bolsonaro e precisou mudar de unidade de ensino.
Na ocasião, a governadora Celina Leão ( PP ) pediu à Secretaria de Estado de Educação que apurasse a denúncia. A deputada distrital eleita Estéfane Sampaio ( Republicanos ) foi à escola pedir a transferência do aluno. A atuação dela gerou um embate com o deputado distrital Gabriel Magno (PT), que criticou a abordagem à direção e aos professores.
Procurada, a secretaria afirmou que a Polícia Civil investiga o caso e que foi aberto um procedimento administrativo para apurar os fatos e eventuais responsabilidades.
Nesta semana, em Foz do Iguaçu (PR), um estudante de 12 anos teria sido cercado e chamado de "petista nojento", segundo relato da mãe no Instagram .
"É profundamente revoltante e doloroso testemunhar até onde o extremismo e a intolerância chegaram no nosso país. Quando o ódio político ultrapassa a esfera do debate e passa a violentar psicologicamente crianças no ambiente escolar, fica claro que perdemos todos os parâmetros de humanidade e convivência democrática", desabafou a mãe.
Em um comentário à postagem, outra mãe disse ter sido perguntada pela filha de seis anos: "Mamãe, por que querem matar o Lula?". Ela questionou de onde a filha tinha tirado aquilo e a resposta foi: "Meu amigo disse que vai pegar o Lula e enfiar uma faca nele".
Em mais de 2.800 comentários, vários outros pais relataram o mesmo problema. Alguns petistas disseram ter pedido para os filhos não tripudiarem dos que pensavam diferente, como uma mãe de Salvador (BA), onde o presidente Lula teve apoio maciço.
Na capital paulista, pelo menos duas escolas estão enfrentando casos de bullying político. Na Escola do Futuro, da zona sul, um pai contou à Folha que a filha de 12 anos ficou aos prantos após ser cercada e pressionada por outros alunos, na segunda-feira.
Ele diz que o perfil dos pais de alunos da escola é de apoiadores de Bolsonaro, de classe média-alta e evangélicos. Afirma nunca ter se envolvido em confusão com ninguém por diferenças políticas e ideológicas e diz ter falado para os dois filhos seguirem a mesma linha.
Por esse motivo, declara ter ficado mais revoltado com os ataques à filha. Sua principal reclamação é que a escola nada teria feito para evitar o problema.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.