Com lápis de cor, crianças descobrem o patrimônio de Corumbá
Uma caixa de lápis de cor pode parecer pouco diante de casarões centenários castigados pelo tempo, pelo abandono e pelo vandalismo.
Em Corumbá, Mato Grosso do Sul, porém, ela passou a integrar uma tentativa ambiciosa: ensinar as crianças a conhecer, valorizar e, no futuro, proteger a história da cidade.
Às vésperas de completar 248 anos de fundação, em setembro, a Capital do Pantanal aposta nos pequenos moradores para fortalecer o sentimento de pertencimento a um dos mais expressivos conjuntos arquitetônicos do interior brasileiro.
O instrumento escolhido é o caderno de colorir “Corumbá, Meu Patrimônio”, produzido pela Fuphan (Fundação de Desenvolvimento Urbano e Patrimônio Histórico de Corumbá).
A publicação reúne 35 ilustrações de prédios, monumentos, paisagens e elementos arquitetônicos que ajudam a contar a formação da cidade.
Ao escolher as cores para uma janela, uma fachada ou um ladrilho hidráulico, a criança é estimulada a observar detalhes que muitas vezes passam despercebidos até mesmo pelos adultos.
Mais do que uma brincadeira, o caderno propõe uma descoberta: a cidade onde se vive também é feita de histórias, memórias e marcas deixadas por diferentes gerações.
Corumbá abriga construções erguidas a partir da década de 1870, muitas delas no período posterior à Guerra do Paraguai.
Com forte influência europeia, os edifícios são testemunhas de uma época de prosperidade impulsionada pelo comércio no Rio Paraguai, quando mercadorias, viajantes e diferentes culturas movimentavam o Porto Geral.
Na parte baixa da cidade, os casarões do conjunto arquitetônico tombado pelo patrimônio histórico nacional em 1993 ainda guardam vestígios desse período de bonança.
No centro comercial, as construções mais antigas dividem a paisagem com imóveis da era modernista, compondo um mosaico urbano de diferentes épocas e estilos.
Apesar dessa riqueza, parte da população ainda não reconhece plenamente o valor do patrimônio que está diante de seus olhos.
O resultado aparece em imóveis abandonados, fachadas pichadas, estruturas deterioradas e construções que acabam derrubadas.
Sem conhecimento, dificilmente nasce o vínculo.
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