Premier League, a cura do futebol doente
Formado em jornalismo, começou a escrever na Folha em 2001. Passou por diversas editorias no jornal e atualmente assina o blog Copo Cheio, sobre o cenário cervejeiro, e uma coluna em Esporte
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Começou nesta sexta-feira (21) a Premier League , considerada por muitos como o melhor torneio de futebol da galáxia por reunir grandes equipes, jogadores e técnicos, tudo envelopado em uma organização impecável, com arbitragem profissional (que também erra, mas menos), VAR menos intervencionista e estádios de gramados irretocáveis, sempre lotados.
Para abrir a temporada, o campeão Arsenal (uhu) recebeu o campeão do acesso, o Coventry. A trajetória para o sonhado bi começou com um 3 a 0, em casa.
Para a temporada atual, 9,9 a cada 10 especialistas cravam o Arsenal como favorito ao título, mesmo em um torneio recheado de grandes equipes. Na Inglaterra não tem top 2, como na Espanha, nem top 1, como na Alemanha, mas um top 6, que eles chamam de Big 6.
Este é um top muito mais ligado ao poderio financeiro, formado por Arsenal (uhu), Liverpool, Manchester United, Manchester City, Chelsea e Tottenham —sendo que este último não ganha nada relevante em território local desde que inventaram o DVD (que já morreu), mas tem dinheiro.
Uma das belezas do campeonato é saber que, em um domingo qualquer, um time que briga para não cair pode arrancar pontos de qualquer um do tal Big 6. O próprio Arsenal suou horrores para conseguir uma vitória (nos acréscimos) e um empate contra o Wolverhampton, que acabou em último lugar.
Este ano marca uma nova era, uma era sem Pep Guardiola depois de dez anos . Nesse período, o homem ganhou seis vezes o torneio nacional, aliando competência a um elenco altamente qualificado.
Ficar em segundo ou terceiro, atrás do City de Guardiola ou do antigo Liverpool de Klopp, nunca foi demérito para nenhum time, pelo contrário. Para finalmente ganhar a liga depois de muitos anos, o Arsenal (assim como Klopp, antes) se reforçou e ficou mais competitivo a cada temporada —o atual campeão Arteta estreou no time em 2019.
Dizem que o luso Abel Ferreira , há muitos anos brigando por todos os títulos no comando do Palmeiras , foi sondado pelo Fulham, da Premier League. Seria interessante vê-lo por lá.
Em um período de pouco s dias, Abel viu derreter a confortável diferença que tinha na liderança do Brasileiro diante do Flamengo (agora, são três pontos, com os cariocas com um jogo a menos) e correu sérios riscos na Libertadores contra o Cerro Porteño , time de orçamento bem inferior.
Após a difícil classificação, desabafou , para surpresa de zero pessoa. Disse que "o futebol está doente". "Se não ganha, é fraco, não presta. O segundo é uma m.... Andamos obcecados pelo sucesso, pelo primeiro lugar", afirmou.
De fato, o mundo está doente, e o futebol, também. E no Brasil os sintomas são mais graves. Mas nada como uma Premier League para mostrar que pode haver cura, de preferência, com Arsenal (uhu).
Nada como uma Copa depois da outra.
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